Pra que servem os presentes?

22
JAN
2013

Inspirações

CasaVermelha

Adoro ganhar presentes na mesma proporção que adoro presentear. Gosto de pensar no gosto da pessoa, no que lhe seria útil, mas também no que a surpreenderia. Fico feliz que nem criança quando encontro o que nem sabia que estava procurando e me encho de ansiedade até a hora de entregar o presente! Acho que é por isso que me irrito um pouco com as compras de Natal, é sempre tudo tão corrido, tão mecânico que os presentes acabam não fazendo muito sentido pra mim, são mais protocolo do que manifestações de carinho. Prefiro os aniversários ou, melhor ainda, presentes espontâneos, inesperados, como os últimos dois que ganhei. Um deles foi uma caneca com o desenho de uma gatinha e uma corujinha, ambas usando óculos, e a inscrição: BBF. Ganhei de uma amiga querida, a Li, e ela disse assim: “comprei pra você usar no seu escritório novo”, mas eu escutei assim: “eu gosto muito de você, quero que você curta muito seu escritório novo e se lembre de mim quando estiver trabalhando nele”. O que dizer de um presente desses?

O outro presente foi um livro com cara de caderno chamado “642 Things to Write About”. E é isso mesmo, o livro/caderno traz 642 perguntas ou sugestões de pequenos textos, selecionadas por dezenas de escritores da San Francisco Writers’ Grotto, pra você escrever a respeito. Se eu gostei? Bom, acho que não preciso responder. Minha amiga querida, a Flá, disse assim, logo que chegou de viagem: “vi numa livraria e lembrei de você”, mas eu escutei assim: “te conheço pra caramba, sei de tudo que você gosta, porque somos amigas há muitos anos, e me deu vontade de comprar este livro porque gosto muito de você e queria te ver feliz”. O que dizer de um presente desses?

Na minha opinião, é pra isso que os presentes servem, pra manifestar carinho e dizer coisas que as vezes não sabemos bem como. A qualquer hora.

Amigas, meu coração agradece. Estou com a caneca (cheia de chá de laranja com canela) e com o livro (aberto) na minha frente, no meu escritório novo, fazendo uma das coisas que mais amo fazer, obrigada! Hoje de manhã, escolhi uma das 642 sugestões e escrevi o texto, que segue abaixo pra quem tiver curiosidade de ler.

linha4 Pra que servem os presentes?

Sugestão

Dois paramédicos estão com um paciente dentro de uma ambulância. O paciente tem cerca de 30 minutos para ser atendido antes de morrer, mas pode levar 20 minutos ou mais para chegarem ao hospital. Descreva o que está acontecendo dentro da ambulância.

Meu texto

Na última quarta-feira, quando saía da faculdade onde lecionava Estatística Aplicada para os alunos do quarto ano da Engenharia Ambiental e voltava pra casa, de bicicleta, aproveitando o início da noite ainda clara por causa do controverso horário de verão, percebi uma sombra escura à minha direita, como um eclipse, que logo me cobriu num grande impacto. Meu cérebro não teve tempo de processar que se tratava de um ônibus, nem que eu seria atropelado, nem que eu iria morrer, nem nada mais nos minutos seguintes.

Retomei a consciência num momento inoportuno. O teto do lugar era branco e muito baixo, com alguns ganchos pendurados, tinham dois homens de roupa azul ali comigo, um de cada lado. O que estava à minha esquerda dedilhava qualquer coisa no celular, talvez trocasse mensagens de texto com a namorada, o que estava à minha direita segurava uma máscara plástica sobre meu nariz e minha boca, mas olhava pra frente e dizia esta frase: acelera aí, Marcão, o cara não agüenta mais vinte minutos. Supus que o cara era eu, me dei conta de que estava dentro de uma ambulância e que sentia uma dor aguda no abdome.

Vinte minutos. Então era tudo o que eu tinha?

Fechei os olhos e os mantive bem fechados, até o final. Não queria passar meus últimos vinte minutos olhando para dois estranhos, preferi meus pensamentos, como sempre. A sirene barulhenta e a dor me entorpeciam e o estado de semi-consciência foi, na verdade, um momento de despedida que poucas pessoas têm a oportunidade de experimentar. Despedi-me dos meus alunos, sempre encontro alguns muito bons no meio da massa medíocre. Dediquei alguns longos segundos à Beatriz, aos seus cabelos compridos e o degradê bonito que descreviam das raízes castanhas até as pontas loiras, que iam morrer muito próximas dos seus belos peitos de moça. Graciosa, mas medíocre.

Despedi-me do Fubá, e tive certeza de que não poderia ter escolhido nome mais adequado pro meu fiel vira-latas. O pelo amarelado, os olhos cor de bala de caramelo, as orelhas desmoronadas e aquela cara de quem não valia grande coisa. Meu cúmplice, minha única testemunha. Senti uma angústia grande ao me despedir dele – quem cuidaria do meu amigo? Eu amava meu cachorro. Ou será que eu amava a devoção que ele tinha por mim?

Despedi-me dos meus livros e dos meus discos. Foram ótimas companhias, uma turma muito boa mesmo! Também pensei em dar um adeus à D. Françoise, minha vizinha e dona do meu apartamento (ela fingia que era francesa, inventava estórias românticas sobre o noivo que tinha morrido na guerra e eu fingia que acreditava), mas que coisa triste seria eu gastar meus minutos preciosos com uma senhora mentirosa e amargurada.

Despedi-me dos meus anos felizes, que ficavam no outro extremo da minha vida. Minha infância na casa de tijolos vermelhos e mato no quintal, minha mãe beijoqueira e risonha, por que será que eu limpava seus beijos com as mãos? Nunca me perdoaria por isso. Queria seus beijos agora. Minha nossa! Talvez eu ganhesse seus beijos agora! E desejei profundamente que meus vinte minutos se esgotassem. E eles se esgotaram e foi mesmo minha última quarta-feira, mas eu ainda não encontrei a minha mãe.

Adorável Mãe Chata

15
JAN
2013

Inspirações

Bagunça

Depois de quase quinze anos casada, resolvi virar dona de casa em quinze dias! Desde o começo do ano, estou fazendo uma varredura geral, passando por todos os cômodos, armários, gavetas e estantes. Arrumando lugar certo pra tudo, me desfazendo do que está quebrado ou fora de uso, etiquetando caixas e organizadores. Já foram vários sacos pro lixo, outros tantos pra doação e eu ainda estou na metade! Somado a isso, fiz cardápio semanal, compras fartas, mas precisas e… estou cozinhando! Fiz almoço no sábado (salmão ao molho de maracujá), no domingo (rosbife com purê de batatas e cebolas assadas) e anteontem fiz uma abobrinha light ao forno para o jantar, só que foi para o lixo… ficou ruim à beça, mas valeu a tentativa. Hoje vou tentar um kibe assado. Sempre começo no exagero, na empolgação, depois vou ajustando a dose. So far, so good. Estou curtindo. Acontece que notei um efeito colateral indesejado: estou chata pra cara…! Mil desculpas pelo (quase) palavrão, desculpas mesmo, acho super indelicado, mas é pra vocês entenderem o quanto estou chata. Estou igual a um sargento com as crianças, minha vontade é colocar aquelas fitas zebradas nas portas de cada cômodo que termino de arrumar – acesso restrito! A cada coisa que eles colocam a mão eu grito logo: “depois de usar, volte imediatamente pro lugar!”, é claro que eles não voltam, até ontem eu mesma deixava fora do lugar, aliás, não tinha lugar! A arrumação, pra ser duradoura, demandará novos hábitos. A considerar que eles estão de férias, os últimos dias têm sido tensos. Alguém sabe em que gaveta fica o meio-termo? Não to encontrando de jeito nenhum!

É claro que toda (boa) mãe tem sua porção de chatice. Ser legal é muito fácil, dizer sim é mais gostoso. Arrumar ao invés de pedir que arrumem é mais rápido. Abrir um pacote de bolacha é bem mais prático que descascar uma fruta. Deixar na frente da televisão ou do videogame é tranquilidade na certa, por algumas horas. Matar o banho ou pular uma escovação de dentes não é nenhum crime. Ser legal é tentador! Mas não dá… as consequências podem ser irreversíveis. As mães são chatas. Ponto. (Mãe, isso inclui você, mas te amo mesmo assim. Obrigada por toda chatice!). Vou continuar fuçando nas gavetas, uma hora encontro o equilíbrio. Talvez na cômoda da maturidade, entre o bom-senso e a intuição.

Isso me fez lembrar um hábito criado por uma amiga do meu marido que achei muito bem bolado. Ela instituiu, junto com os filhos, o Dia do Pode. Nesse dia da semana tudo (ou quase tudo) pode: pode jantar salgadinho, pode ver televisão até de madrugada, pode ficar sem banho, pode deixar a cama sem arrumar… enfim, pode tudo o que não pode nos outros dias. Além de ser divertido e relaxante pra família toda, a mãe  pode passar um dia inteiro sendo legal! A ideia não é mesmo muito boa?!

Qual metade você prefere?

14
JAN
2013

Inspirações

Martha Medeiros

Há alguns meses, recebi este texto de uma prima, que disse tê-lo lido no jornal O Globo, e lembrado de mim. Fico feliz quando lembram de mim por um motivo bom. O texto é da Martha Medeiros, o que, de cara, garante ideias inteligentes.

linha2 Qual metade você prefere?

Uma menina me perguntou certa vez: a vida da gente melhora da metade para o final? Ela deveria ter uns 14 anos, jovem demais para dividir a existência em duas partes e colocar suas esperanças na segunda. Já eu havia recém feito 40: estava me despedindo do ensaio geral e estreando na Parte 2, ainda sem saber o que estava por vir. Logo, o que responder?

Admiti que considerava encantadora a primeira parte: a virgindade existencial, os primeiros amores, a juventude do corpo, os sonhos projetados para frente, a morte a uma distância teoricamente segura. Não tinha como afirmar se a segunda parte possuiria munição suficiente para superar tanta vitalidade e expectativa, mas, dali onde eu me encontrava, seguia confiante, o futuro não me assustava. Apesar de ter vivido muito bem os primeiros 40, secretamente desejava que a resposta ao questionamento dela fosse um categórico sim.

Hoje aquela menina deve estar em torno dos 24 e ainda não tem sua resposta, mas garanto que anda tão ocupada que isso deixou de importar. Eu, no entanto, avancei um pouquinho na parte 2, porém continuo sem um parecer. Tenho apenas uma intuição.

Menina que não sei o nome: decretar o que é melhor, se a primeira ou a segunda metade da vida, é uma preocupação inútil – não perca tempo com isso. A única coisa que você deve ter em mente é o seguinte: o que fizer na primeira metade terá conseqüências na segunda, para o bem ou para o mal.

Se você for muito seletiva e insegura, acabará transferindo para mais tarde projetos que já poderiam ter sido experimentados. Procure viver as delícias de cada idade, arrisque-se. Se não conseguir, ok: então morra de amor, vá morar sozinha em Londres, entre para uma seita, monte uma banda, tudo isso aos 60, aos 70, e danem-se as convenções.

A maturidade traz ganhos reais. A ansiedade diminui, a teatralidade também: já não vemos sentido em agradar a todos, a opinião alheia deixa de nos influenciar. Essa liberdade de ser quem realmente somos me parece o benefício maior – os jovens não percebem, mas sua liberdade é muito restrita. São pressionados a fazer escolhas tidas como definitivas (casamento, filhos, profissão) e as dúvidas se amontoam.

A sociedade exige eficiência na condução desse script. Depois dos 40, a boa notícia: que sociedade, que nada. Não é ela que banca suas ideias, não é ela que enxuga suas lágrimas, não é ela que conhece suas carências. Você passa, finalmente, a ser dona do seu desejo. Não é pouca coisa.

A segunda metade trará vista cansada, um joelho menos confiável, um rosto não tão viçoso, umas manias bobas, mas o fato de já não haver tempo a desperdiçar nos torna mais focados e até mais aventureiros – pensar demais deixa de ser producente.

Perder a ilusão da eternidade traz, sim, conquistas instantâneas, mas, para isso, é preciso ter cabeça boa, conhecimento e uma forte base moral e ética. E isso você adquire na primeira metade da vida – ou padecerá na última.

linha3 Qual metade você prefere?

Mulher esperta.

Um presente pra vocês!

09
JAN
2013

Sabe da Última?

Tiffany

Sou muito fã do blog da francesa Garance Doré, gosto dos textos, das ilustrações, das imagens e, mais que tudo, da espontaneidade dela. Também gosto muito da seção de posts em vídeo que ela faz, batizada fofamente de Pardon My French. Então, num dia qualquer, em meados do ano passado, pensei: por que não? Posts em vídeo poderiam ser um recurso bem legal pra usar no Melhor aos Quarenta de vez em quando. Deixei a ideia ir e vir na cabeça por um tempo, depois esbocei algumas pautas no papel, fiz contatos com alguns profissionais importantes para um trabalho desse tipo, consultei algumas amigas e, voilà… todo mundo concordou que valia a pena tentar!

De todas as pessoas que contatei pra colocar este projeto no ar, não ouvi um único NÃO – todo mundo topou de cara, foi uma energia muito boa! A começar pelo Marcelo Navarro, que fez a filmagem e a edição, depois o pessoal da Soul Comunicação, agência do meu coração que criou o blog junto comigo, desde as primeiras linhas. Foram eles que cuidaram da direção de arte do vídeo. Também fui recebida de portas abertas pela Casa Decorada, loja de decoração aqui de São José dos Campos, que me permitiu escolher todo o mobiliário para a ambientação do set de filmagem, que foi no Pátio (claro!). A Cris, da Le Truquê, mandou doces e cupcakes pra adoçar nosso papo e o querido Allan Cappabianco, com a ajuda do Dan, se prontificou de imediato a cuidar da maquiagem e cabelo das minhas convidadas. Obrigada, obrigada, obrigada.

Ah, as convidadas… este capítulo era muito importante, mas foi mais fácil do que eu imaginava. A ideia era gravar um bom bate-papo entre três ou quatro mulheres na faixa dos quarenta anos. Eu sabia que a escolha destas pessoas seria crucial para a qualidade do conteúdo do vídeo. Queria pessoas de bem com a vida, que estivessem curtindo esta fase sem encanações, mas que também estivessem atravessando momentos diferentes em suas vidas, pra que os assuntos fossem explorados ao máximo. Falamos sobre família, filhos, carreira, beleza, envelhecimento, amigos, amores. Foi mesmo uma tarde muito diferente e muito gostosa! Minhas convidadas, que aceitaram meu convite sem qualquer hesitação foram as muito especiais: Andréa Prianti, Patrícia Veneziani e Renata Cury. A elas, meu mais carinhoso e sicenro OBRIGADA! Amei brincar de Monica Waldvogel com vocês!

De todas as embalagens encantadoras que existem (e sabemos que são muitas), penso que esta uma, cor de turquesa, com laço de fita branca, ícone de uma certa joalheria novaiorquina, seja a mais especial de todas. Talvez porque a gente já saiba que vai gostar do que tem dentro, talvez porque ela traga embutida a mensagem de que somos especiais pra alguém, talvez porque desperte a Audrey Hepburn que temos guardada dentro de nós ou talvez porque seja linda e delicada, somente. Independente da razão, escolhi esta caixa pra ilustrar meu primeiro post em vídeo porque o sinto como um presente meu pra vocês, concebido e produzido com muito cuidado e carinho, por um monte de gente bacana. Espero que gostem! Aí vai…linha Um presente pra vocês!

linha1 Um presente pra vocês!

Apesar das mais de duas horas de gravação, publicarei quatro ou cinco vídeos de 5 a 8 minutos, ao longo dos próximos meses. Queria muito saber o que acharam da ideia e do vídeo em si – deixem seu comentário!

Melhor aos 40 {Ping-Pong} from Marcelo Navarro Filmes on Vimeo.

Começos

07
JAN
2013

Inspirações

2013

Eu gostaria que tivéssemos uns três Anos Novos por ano. Não pela celebração em si, mas pela incrível disposição que o início de janeiro me dá! Estou às voltas fabricando mil listas de providências, refazendo a agenda, arrumando armários e gavetas, retomando a dieta, tendo ideias, traçando as metas para os próximos 12 meses… Sei que dentro de algumas semanas, este gás todo vai perdendo a força, mas gosto de aproveitar a turbinada inicial pra dar um pontapé nos projetos e pra me comprometer comigo mesma em levar adiante pelo menos os mais importantes.

Minha palavra do ano: disciplina. Ouvi muito sobre ela no ano passado e acho que é hora de incorporá-la na minha vida. “Não existe almoço grátis”, “a gente colhe o que planta” (e se não plantar não colhe), “devagar se vai ao longe”…, a sabedoria popular anda reverberando na minha cabeça oca.

Outro dia, vi umas fotos da Grazi Mazzafera de biquíni, numa lancha em Angra, poucos meses depois de ganhar a filha, descaradamente linda, aí, claro, a gente excomunga a criatura. Virei a página, e tinha outra foto dela, desta vez correndo na AREIA da praia, sob o SOL QUENTE, de CANELEIRA, nas FÉRIAS. Ah, entendi…

Há algum tempo, comprei um livro sobre a rotina de trabalho de dezenas de escritores renomados. Cada um tinha a sua, nenhuma se repetia, mas todos eles diziam que começavam na primeira página e escreviam até a última, ainda que levassem anos até o ponto final. Ah, entendi…

Disciplina. A ideia não é engessar a vida, mas colocá-las nos trilhos, na direção dos meus planos e ir dosando o ritmo conforme cada dia permitir. Vamos lá, vamos ver.

Queria aproveitar pra dizer que há mudanças de rumo à vista aqui no Melhor aos Quarenta. Aos poucos ele deixará de ter cara de diário e passará a ser um lugar para reflexões, textos à deriva ou apenas informações que me pareçam realmente interessantes de compartilhar. Nos últimos meses, notei que perdia muitas horas procurando o que dizer aqui no blog e me via inventando assuntos, o que acabava roubando meu tempo e o seu. Portanto, ainda que apareça menos por aqui, farei com que valha a pena para nós.

É isso, meus queridos. Queria desejar um ano incrivelmente lindo pra vocês, com a energia boa de um novo começo e com um pedido sincero de saúde e amor, que acabei de fazer ao Pai do Céu, por cada um de vocês.

Noite Feliz

24
DEZ
2012

Pequenos Grandes Prazeres

Natal

Eu fico pensando que pessoa extraordinária deve ter sido Jesus Cristo. Em tese, Ele nasceu há, mais ou menos, 2012 anos, época em que as notícias corriam de ouvido a ouvido, no ritmo lento dos pés do mensageiro. Época em que a Humanidade conhecia tão pouco, por falta de respostas acreditava em tantas coisas impossíveis, apedrejava pessoas e resolvia seus conflitos no “olho por olho, dente por dente”. Seus ensinamentos são, de fato, indiscutíveis. Alcançam, na minha opinião, a perfeição do comportamento humano (são, portanto, um ideal a ser buscado e não uma imposição). Ainda assim, mesmo considerando o valor inestimável de sua pregação, é preciso uma força ainda maior que explique o fato de eu, você e todo o mundo ocidental parar tudo o que está fazendo para celebrar, tanto tempo depois, Seu nascimento. É claro que muita gente não se dá conta disso, não liga o nome à pessoa, não dirige um único pensamento ao Aniversariante (que parece não se importar com isso, já que presenteia todos os lares receptivos com a mesma luz), mas o fato é que o mundo freia, abre um parêntese chamado “ceia de Natal”, se une às pessoas que mais ama, troca afeto, celebra o que dá sentido à nossa existência, o que nos faz gente.

Nos meus momentos de dúvida (sim, minha fé é constantemente cutucada por questões inoportunas), penso no poder transformador da breve passagem terrena de Jesus, o filho do carpinteiro da pequena Nazaré que se cercou de pescadores que não escreviam os próprios nomes e que revolucionou o mundo, mudou nossa maneira de ver o outro. Há algo sobre-humano aí, então me aquieto e sigo crendo.

Isso não invalida a crença dos nossos irmãos judeus, budistas, hindus, muçulmanos e tantos outros – eles têm seus Mestres. O meu é Jesus Cristo e, esta noite, na companhia das minhas pessoas mais amadas, deixarei preparada uma manjedoura aquecida e acolhedora no meu coração, para Ele renascer ali e para que Seu ensinamento maior, o Amor, seja meu cálice dourado, minha busca, minha razão de ser.

É este Amor que desejo a vocês, meus queridos e dedicados leitores. Desejo também que a força invisível que toca e une as pessoas no vídeo abaixo, envolva sua família nesta Noite Feliz:

linha5 Noite Feliz

linha6 Noite Feliz

Feliz Natal!

maisquarenta

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