3 em 1

21
SET
2012

Descobertas

Joao Carlos Martins

Um tempo atrás, uma amiga me trouxe de Nova York (praticamente sua cidade natal), um tipo muito diferente de diário. Ele se chama Keel’s Simple Diary e é uma delícia de escrever! O diário conduz sua escrita, já vem com as páginas parcialmente prontas, com frases pra você completar, perguntas super inesperadas que te põe pra pensar, questões tipo multiplaescolha (!) e mais um monte de coisinhas legais. Você escolhe uma página qualquer e começa a escrever – eu amei o presente! Uma maneira muito original de guardar nossas memórias (tiro um monte de ideias de lá para o questionário da seção Quarentonas, por exemplo). Outro dia, preenchendo uma página dessas, veio a pergunta: se sua vida tivesse uma trilha sonora, qual seria?

Deixei em branco. Pensei comigo: pergunta besta, não dá pra escolher uma única música pra uma vida inteira! Precisaria, no mínimo, de um LP, daqueles de vinil, lados 1 e 2!

No começo deste ano, fui com uma outra amiga fazer uma visita monitorada à Estação Júlio Prestes - super recomendo! A visita dura 1 hora e começa com uma breve aula de história sobre a São Paulo do início do século passado, quando a estação ainda se chamava Sorocabana (meu avô paterno trabalhou lá por vários anos, achei emocionante!). Depois, a visita segue pra Sala São Paulo, uma das mais sofisticadas salas de concerto do mundo, motivo de muito orgulho pra gente! Os músicos da OSESP estavam afinando seus instrumentos e não se ouvia nada além de uns sons soltos no ar, mas adorei estar ali. Finalizada a visita, fomos dar uma passadinha básica na lojinha local – uma mistura fofa de livraria, café e loja de CDs. Perguntei à atendente qual CD ela recomendaria pra alguém que não entende nada de música clássica (no caso, eu), mas gostaria de começar a conhecer. Ela me indicou uma coletânea do maestro João Carlos Martins, o moço da foto aí de cima, por quem aprendi a ter muito respeito e admiração depois de contratá-lo para o evento de um cliente, em 2010 – ele é mesmo um ser extraordinário. Comprei a coletânea, claro. Saindo da lojinha, o caminho para saída nos fez passar novamente pelas portas da Sala São Paulo, agora fechadas para o ensaio oficial e reservado. Ouvimos o som abafado da música que vinha lá de dentro, saindo pelas mínimas frestas das portas e, instantaneamente, paramos de andar, fechamos os olhos pra escutar melhor e sentimos arrepiar todos os pêlos do nosso corpo. Um instante de linda cumplicidade entre duas amigas que se adoram. Vou guardar pra sempre.

Ouvindo a faixa 10 do CD, achei a trilha sonora da minha vida: “Jesus, Alegria dos Homens”. Encontrei na melodia, composta por J. Sebastian Bach, a mistura das principais emoções que vão compondo meus dias: tem trechos muito alegres, outros mais tristes, alguns emocionantes e várias passagens dramáticas (e como eu gosto de um drama!). A letra poderia ter sido escrita pela minha própria alma. Pronto, é esta a minha trilha, já posso completar o diário.

Keel’s Simple Diary + Estação Júlio Prestes + “Jesus, Alegria dos Homens” = post 3 em 1, tudo aí embaixo pra vocês curtirem comigo…

Keel’s Simple Diary

Keels4 3 em 1

 

Estação Júlio Prestes + Sala São Paulo

JulioPrestes4 3 em 1

 

“Jesus, Alegria dos Homens”

PS: coincidência ou não, foi esta a música que escolhi para sair da igreja, no dia do meu casamento!

Reinventar-se!

18
SET
2012

Inspirações

Untitled-1

Na semana passada, escrevi sobre inserirmos coisas novas na nossa rotina e fiquei feliz com a repercussão! Algumas pessoas vieram me dizer que estão pensando em suas listas – que delícia saber disso! Fico feliz quando um texto meu faz bem pra alguém, mas muitas vezes, na verdade, estou escrevendo pra mim mesma, como se estivesse falando sozinha, como se fosse um reforço, um estudo, um registro do que eu penso e quero pra mim. Pois bem, hora de por em prática umas coisinhas… Amanhã vou fazer algo absolutamente inédito, que nunca cheguei perto de fazer! Trata-se de um projeto novo e muito legal pro Melhor aos Quarenta, mas quero fazer surpresa e, no devido tempo, vocês vão saber o que é! Por enquanto, peço um pouquinho de paciência se eu não conseguir fazer os posts com a freqüência habitual, pois estou sendo consumida pelos preparativos. (Em tempo: auto-controle também é uma dádiva que se conquista com a idade, portanto, administrem sua curiosidade! Rsrsrsr….).

Não deu nem pra parar e pensar num assunto interessante hoje, muito menos sentar e escrever com calma, mas encontrei este depoimento muito bacana, verdadeiro e maduro da Betty Prado, top model dos anos 80 (lembram dela?!), e me deu vontade de dividir com vocês. Ela já fez cinquenta e achei gostoso ver como tantas coisas podem começar (ou recomeçar) em qualquer momento da vida.

A imagens são dos arquivos do Saia Justa, programa do GNT. É só clicar no link abaixo – espero que gostem também!

http://gnt.globo.com/saiajusta/videos/_2078070.shtml

Todas as Cores

14
SET
2012

Descobertas

Ipe

Ontem fui fazer um exame e ao descer do carro vi, no terreno vizinho ao laboratório, uma cerca viva feita de primaveras cor de rosa bem forte. O rosa gritava tanto que eu tive que parar pra olhar e daí eu pensei: isso vai dar um post.

Atualmente, tudo que me chama a atenção, pro bem ou pro mal, acaba virando um texto e não poderia ser diferente com essas primaveras, elas merecem.  Mas, mais lindo do que o rosa das flores foi sentir que aquilo estava lá só pra ser olhado, pra entrar nos meus olhos e me fazer bem. Eu me senti importante, presenteada mesmo. De uma maneira muito nova e suave, me dei conta que, à exceção de alguns insetos bizarros e outros répteis repulsivos, não existe nada de feio na Natureza. Até mesmo o que nos assusta, como as tempestades ou vulcões em erupção, é fascinante. A Natureza é toda linda, a mais linda de todas as declarações de amor.

Nos poucos minutos que fiquei olhando as primaveras, pensei: poxa, se essa beleza toda foi feita pra enfeitar nosso mundo, então é porque a ideia é que a vida seja uma festa mesmo – qual foi a parte da mensagem que a gente não entendeu?!

festa sf. 1. Reunião alegre para fim de divertimento. 2. Solenidade, comemoração. 3. Regozijo, alegria. (Dicionário Aurélio)

Desde ontem, estas primaveras estão colorindo meus pensamentos. Vou voltar a pensar nelas e no amarelo dos ipês e no azul das hortênsias e no verde do mar e no vermelho das maçãs quando os dias de pensamentos cinzas quiserem roubar minha cor.

Ótimo final de semana pra vocês!

Velha que não envelhece

12
SET
2012

Inspirações

CoraCoralina

“Se você não experimentar, não vai saber se gosta”. Quantas vezes você já falou essa frase pro seu filho ou ouviu da sua mãe, quando era pequena? Eu ouvi um monte e ela soava como ordem: “come logo isso aí!”, torci o nariz pra abobrinha, brócolis e bife de fígado, mas gostei de todo o resto.

Depois que a gente cresce, quase não ouve mais isso, talvez porque imaginem que a gente já tenha aprendido esta lição ou talvez porque o livre arbítrio da vida adulta iniba os outros de nos convencer a experimentar alguma coisa – em tese, sabemos o que é melhor pra nós mesmos ou deveríamos saber.

Será que é por isso que a gente pára de experimentar as coisas? Já reparou como a grande maioria das pessoas faz as mesmas coisas, todos os dias? Talvez numa viagem ou num restaurante novo a gente arrisque um prato diferente ou uma combinação de roupa que nunca tentou, mas e no dia a dia, o que é que a gente arrisca? O que é que a gente experimenta de novo?

Vejo a vida igual a um cardápio daqueles restaurantes-pizzarias-churrascarias-lanchonetes, sabe? Tem um monte de páginas e uma infinidade de opções, mas por acomodação ou medo de pedir errado, a gente se garante no parmeggiana de sempre, com fritas, por favor. Todo resto fica lá, esperando ser experimentado –  e pode ter tanta coisa boa à nossa disposição neste cardápio… um desperdício não experimentar, nem que seja pra descobrir que não gosta.

Outra frase que complementa a primeira e que, muito provavelmente, já apareceu no seu timeline do Facebook é “quando foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez?”. É batida, eu sei, mas já parou pra pensar e responder a esta pergunta? Talvez você se assuste, como eu.

A Cora Coralina, poeta e escritora goiana, experimentou publicar o primeiro livro aos 76 anos. A Raquel Manzatti, designer de bolsas da qual sou fã, experimentou abrir seu atelier depois dos 50, sorte nossa! A Fátima Bernardes, bem, vocês sabem. O Paulo Junqueira, amigo querido e advogado formado, abandonou a carreira e foi fazer medicina, já é quase doutor. Eu, aos 37, estou me aventurando na cozinha e a mulher do meu sogro, está aprendendo inglês, aos 60. O PV, primo quarentão e compadre amadíssimo, foi passar um mês em San Diego, treinar o idioma e ganhar bagagem cultural.  Minha mãe comprou seu primeiro computador (um notebook) pra ler meus blogs e, aos 64 anos, está apanhando mais que lutador da UFC, mas está persistindo. A Leila, mãe de uma amiga, começou a fazer aulas de meditação e a Xuxa pintou os cabelos de preto depois de 50 anos de loirice. Tanta coisa, tantas possibilidades!

A gente conhece bem o princípio implacável da inércia. Se não fizermos nada, tudo permanece igual. A rotina em si não é má, ao contrário, ela é necessária e nos dá segurança, eu só acho que ela merece ser surpreendida com algo novo de vez em quando. Não precisa ser nada grande ou radical, apenas inédito.

Quer uma dica?

Não sei sua resposta, mas vou dar a dica assim mesmo: faça uma tabela com 2 colunas e 12 linhas. Na coluna da esquerda escreva o nome dos meses, um em cada linha. No início de cada mês, tire um tempinho pra pensar no que gostaria de experimentar ou fazer de novo naquele mês e anote a lápis. Se conseguir fazer antes do mês acabar, passe caneta por cima. Deixe o papel num lugar visível, tipo porta de armário, assim não tem perigo de esquecer. Pode parecer uma coisa boba, mas é mágico e divertido ver o mundo de possibilidades que se abre quando nos dispomos a algo novo. Seu cardápio vai ter outro sabor!

Bom apetite!

Bate-papo com o doutor

10
SET
2012

Sabe da Última?

Edgar

Quando fui pra Minas, nas férias de julho, encontrei meu querido tio Edgar que, antes mesmo de me dar “oi”, falou de longe: “Tô adorando seu blog!”, eu fiquei surpresa! Um homem, quase na casa dos 60, seguindo o Melhor aos Quarenta?! Ele percebeu logo minha cara de “como assim?!” e explicou com o delicioso sotaque daquela terra: “uai, Rê, você fala com meu público-alvo, é claro que eu me interesso, e muito!”. Agora sou eu quem explico: ele é ginecologista, um dos poucos da pequena cidade natal da minha avó, da minha mãe e dele, no Sul de Minas.

Voltamos lá neste feriado e meu tio falou de novo que não perde um post. Então, eu perguntei: “você me daria uma entrevista?”. Ele topou, claro! Pegou um copo de cerveja, acendeu um cigarro de palha e perguntou: “já pensou nas perguntas?”. Eu disse que queria saber o que acontece dentro do corpo da mulher nas proximidades dos 40 anos e aí o papo foi embora…

De uma maneira geral, aos 40 anos o sistema reprodutor feminino ainda está funcionando, as chances de engravidar são menores, mas existentes. No entanto, a qualidade do material genético começa a cair a partir dos 35 anos de idade, aumentando os riscos de má formação do bebê.

A sexualidade está a pleno vapor, mas o corpo está se encaminhando para o climatério, período em que os ovários vão começar a parar de funcionar. Nesta fase, a menstruação se assemelha à menarca, que é aquele período da adolescência em que os ovários começam suas atividades – a menstruação é irregular e o fluxo também, às vezes pula um mês, às vezes vem duas vezes num mesmo mês, tem hora que desce pouquinho, em outras parece hemorragia. A maioria das mulheres entra no climatério na faixa dos 45 anos e além das irregularidades no ciclo menstrual, pode observar mudanças de humor (sempre pra pior, óbvio!), ressecamento da pele, incluindo na região vaginal, as famosas ondas de calor e redução da libido. Fala sério! A natureza não dá trégua pra gente!

A reposição hormonal, tida como a solução para todos os males das mulheres de meia idade há poucos anos atrás, já está sendo vista com muito mais cuidado, principalmente por causa do aumento dos casos de câncer diretamente relacionados à ingestão indiscriminada dos hormônios. É necessário avaliar com cuidado, caso a caso.

O climatério se encerra com a chegada da menopausa, quando os ovários penduram as chuteiras de vez e deixamos de menstruar. Também não existe uma idade certa para acontecer, mas pode se estender até os 50-55 anos, ou seja, ainda não precisamos pensar nisso.

Eu estou com 37, então devo ter mais uns 8 ou 10 anos pela frente antes de começar a passar por tudo isso, mas, pensando bem, deixar de ficar menstruada não deveria, necessariamente, ser uma coisa ruim – eu, pelo menos, não conheço uma só mulher que adore ficar menstruada, ao contrário, é um saco. De qualquer forma, parece que a ideia mexe muito com a nossa auto-estima e eu acho que isso deve estar diretamente ligado à sexualidade em si… talvez a gente envie pra nós mesmas mensagens do tipo “já não sou mais atraente” ou “não sou mais capaz de despertar interesse” ou “não sou mais desejável”, talvez a gente se envergonhe do próprio corpo, inevitavelmente menos firme e vigoroso. Então, é hora de lembrar que temos a experiência a nosso favor e, poxa vida, como isso conta!

Provavelmente eu ficaria encabulada num papo desses com o meu tio, mas como estava conversando com o Dr. Edgar fiquei muito à vontade e perguntei sobre o que fazer pra prolongar uma vida sexual prazerosa.

As dicas dele foram:

- Leve uma vida saudável, praticando atividades físicas regularmente e alimentando-se bem

- O corpo saudável alimenta a auto-estima e auto-estima elevada é um afrodisíaco natural poderoso

- Adapte-se às transformações do seu corpo ao invés de aborrecer-se com elas

- Use lubrificantes vaginais, eles tornam o sexo mais prazeroso para a mulher e para o homem

- Preocupe-se com a qualidade e não com a quantidade

As minhas dicas são:

- Alimente o romance

- Não deixe de elogiar quem você ama

- Dialogue sobre o tema com clareza e bom humor

- Brinque, provoque, mostre-se interessada

- Filmes e livros românticos (e levemente picantes) podem ser muito estimulantes

- Meia-luz, sempre à meia-luz! Celulite e outras imperfeições desaparecem…

Outras informações importantes que ele colocou a respeito dos cuidados com a saúde da mulher a partir dos 40 são:

- Visite seu ginecologista anualmente ou sempre que observar algo irregular no funcionamento do seu organismo.

- É recomendável que a primeira mamografia seja realizada aos 35 anos. A partir dos 40, ela é recomendada de 2 em 2 anos, em caso de mamas normais (tipo 1 ou 2). No entanto, se a mama apresentar alguma irregularidade ou tendência a nódulos malignos, a periodicidade do exame deve ser anual.

- O papanicolau, exame preventivo de câncer no colo uterino, deve ser feito anualmente, assim como o ultrassom transvaginal que avalia a saúde do sistema reprodutor como um todo.

É isso aí, meninas. Cuidem-se!

linha1 Bate papo com o doutor

Dr. Edgar Gomes Filho é ginecologista e obstetra há 31 anos, formou-se pela Faculdade de Medicina de Barbacena, MG e fez especialização no Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, sob chefia do prestigiado Dr. Mario Dias Correa.

De passagem…

05
SET
2012

Inspirações

Untitled-2

A pintura da parede da minha casa deu bolhas e teremos que fazer tudo de novo, mas isso não é um problema. Saindo do salão, estraguei minha unha na hora de dar partida no carro, mas isso também não é um problema. Alguém riscou as letras “AU” na lataria do porta-malas do meu carro, o guarda-roupas dos meus filhos está (sempre) uma zona, preciso começar a pintar meu cabelo, chegou mais uma multa de trânsito e o trânsito na saída da escola é uma droga, mas nada disso é um problema. Ontem, eu vi uma mãe velar o corpo da filha, criança sorridente, vítima da doença que não gostamos de falar o nome e que leva tanta gente importante das nossas vidas. Tudo, absolutamente tudo, fica pequeno diante desta dor.

A gente sofre por compaixão de quem está sofrendo, mas também sofre o medo de passar por algo parecido, então dá uma vergonha danada de reclamar da vida. Perdas assim me fazem lembrar que o mundo não é meu, nem nada dentro dele, nem mesmo meus filhos. A vida não oferece garantias, nem prazos de validade.  Estar e ter quem se ama vivo e saudável é um milagre diário, que deve ser agradecido e desfrutado. Todo o resto é conquista nossa e tem conserto.

A natureza é perfeita e nos poupa de pensar o tempo todo que um dia a vida acaba, mas pode ser um estímulo importante lembrar disso de vez em quando.

Aos queridos S., A. e M. minhas orações, meu afeto e meu mais profundo pesar.

maisquarenta

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nada

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