Velha que não envelhece

12
SET
2012

Inspirações

CoraCoralina

“Se você não experimentar, não vai saber se gosta”. Quantas vezes você já falou essa frase pro seu filho ou ouviu da sua mãe, quando era pequena? Eu ouvi um monte e ela soava como ordem: “come logo isso aí!”, torci o nariz pra abobrinha, brócolis e bife de fígado, mas gostei de todo o resto.

Depois que a gente cresce, quase não ouve mais isso, talvez porque imaginem que a gente já tenha aprendido esta lição ou talvez porque o livre arbítrio da vida adulta iniba os outros de nos convencer a experimentar alguma coisa – em tese, sabemos o que é melhor pra nós mesmos ou deveríamos saber.

Será que é por isso que a gente pára de experimentar as coisas? Já reparou como a grande maioria das pessoas faz as mesmas coisas, todos os dias? Talvez numa viagem ou num restaurante novo a gente arrisque um prato diferente ou uma combinação de roupa que nunca tentou, mas e no dia a dia, o que é que a gente arrisca? O que é que a gente experimenta de novo?

Vejo a vida igual a um cardápio daqueles restaurantes-pizzarias-churrascarias-lanchonetes, sabe? Tem um monte de páginas e uma infinidade de opções, mas por acomodação ou medo de pedir errado, a gente se garante no parmeggiana de sempre, com fritas, por favor. Todo resto fica lá, esperando ser experimentado –  e pode ter tanta coisa boa à nossa disposição neste cardápio… um desperdício não experimentar, nem que seja pra descobrir que não gosta.

Outra frase que complementa a primeira e que, muito provavelmente, já apareceu no seu timeline do Facebook é “quando foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez?”. É batida, eu sei, mas já parou pra pensar e responder a esta pergunta? Talvez você se assuste, como eu.

A Cora Coralina, poeta e escritora goiana, experimentou publicar o primeiro livro aos 76 anos. A Raquel Manzatti, designer de bolsas da qual sou fã, experimentou abrir seu atelier depois dos 50, sorte nossa! A Fátima Bernardes, bem, vocês sabem. O Paulo Junqueira, amigo querido e advogado formado, abandonou a carreira e foi fazer medicina, já é quase doutor. Eu, aos 37, estou me aventurando na cozinha e a mulher do meu sogro, está aprendendo inglês, aos 60. O PV, primo quarentão e compadre amadíssimo, foi passar um mês em San Diego, treinar o idioma e ganhar bagagem cultural.  Minha mãe comprou seu primeiro computador (um notebook) pra ler meus blogs e, aos 64 anos, está apanhando mais que lutador da UFC, mas está persistindo. A Leila, mãe de uma amiga, começou a fazer aulas de meditação e a Xuxa pintou os cabelos de preto depois de 50 anos de loirice. Tanta coisa, tantas possibilidades!

A gente conhece bem o princípio implacável da inércia. Se não fizermos nada, tudo permanece igual. A rotina em si não é má, ao contrário, ela é necessária e nos dá segurança, eu só acho que ela merece ser surpreendida com algo novo de vez em quando. Não precisa ser nada grande ou radical, apenas inédito.

Quer uma dica?

Não sei sua resposta, mas vou dar a dica assim mesmo: faça uma tabela com 2 colunas e 12 linhas. Na coluna da esquerda escreva o nome dos meses, um em cada linha. No início de cada mês, tire um tempinho pra pensar no que gostaria de experimentar ou fazer de novo naquele mês e anote a lápis. Se conseguir fazer antes do mês acabar, passe caneta por cima. Deixe o papel num lugar visível, tipo porta de armário, assim não tem perigo de esquecer. Pode parecer uma coisa boba, mas é mágico e divertido ver o mundo de possibilidades que se abre quando nos dispomos a algo novo. Seu cardápio vai ter outro sabor!

Bom apetite!

comentários

  1. lilia disse:

    Obrigada pelos 64 anos , filha . Na realidade eu tenho 66 ! Se eu pudesse fazer uma coisa diferente hoje , acho que pegaria um avião para os paises nordicos , e não só para me livrar deste calor horrível em fim de inverno ! Nós duas gostamos mesmo é de viajar , né? ( acabei de aprender como colocar ponto de interrogação !) Bjs

  2. Carla Valias disse:

    Amei esse post ! Alguma sugestão pra mim, irmã ?

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