Ter ou não ter filhos?

27
AGO
2012

Inspirações

Filhos

Até engravidar, eu não sabia se queria filhos. Eu tinha 28 anos, estava casada há 5 e, apesar de não fazer a prevenção com o devido cuidado, fiquei surpresa quando descobri que estava grávida. A menstruação atrasou poucos dias, mas foram os seios que me fizeram suspeitar – eles doíam demais! Comprei um teste de farmácia num domingo à noite, mas só quis fazer o teste na manhã seguinte. Acordei muito cedo e fui pro banheiro. Com o teste já em andamento na mão, fechei a tampa do vaso e me sentei nele. Fiquei olhando o risquinho azul surgir bem devagar naquela janelinha, o coração pulando que nem cabrito. O risquinho azul continuou azul e eu não parava de olhar, muda, pasma. Não sei quanto tempo fiquei ali, pode ter sido menos do que eu imagino, mas a lembrança que tenho é em câmera lenta.

Fui acordar meu marido e ele achou que eu estivesse brincando, então eu comecei a chorar e ele sentou na cama, num pulo só, viu que era sério. Eu não chorava de alegria, nem de emoção. Era um combinação de susto, com medo, com “ainda não era a hora”. A reação dele foi parecida, também chorou, mas me colocou no colo e disse que tudo ia dar certo. E deu. Tivemos uma filha linda e saudável e menos de quatro anos depois, um garotão delicioso.

Não sei dizer em que momento eu teria tentado ter filhos se o primeiro não tivesse vindo sem planejamento. Nossa vida era boa demais – liberdade, autonomia, tempo livre, sossego, viagens. Em que momento eu teria coragem de abrir mão de tudo isso, por opção? Não tenho esta resposta, por isso fico pouco à vontade para incentivar minhas amigas (algumas no limite decisivo que a idade impõe) que têm dúvidas a respeito.

Quando eu e meu marido conversávamos sobre ter filhos (ou não), eu achava que os teria, mas nunca me sentia pronta. Não me imaginava mãe, não sonhava com isso como tantas mulheres que conheço, nem de boneca eu gostava de brincar quando era criança. O que me levava a querer ter filhos era pensar no futuro distante, quando eu fosse bem mais velha – seria triste não ter uma família pra curtir. Tão nova e o que me preocupava era uma velhice solitária! A natureza do sentimento era bastante egoísta, reconheço.

Acontece que depois que eles nascem, não dá pra entender a vida sem eles. Liberdade, autonomia, tempo livre, sossego… tudo isso desaparece por um bom tempo. Mas tem um amor que entra no lugar, uma coisa boa que vai te preenchendo e faz você sentir que este é o seu principal papel na Criação. Ter filhos é muito difícil, educar é um trabalho cansativo e diário, tem dias que tenho vontade de sair correndo, tem dias que não suporto ouvir a palavra “mãe”, canso de cuidar. A demanda é constante, existem tarefas que não se pode delegar e algumas vezes sinto falta de fazer o que me dá na telha. Mas, ainda assim, eu os quero bem perto de mim. Ver os filhos se divertindo é mais gostoso do que se divertir (ou é se divertir em dobro!). É doido e só experimentando pra saber.

Numa metáfora bem boba, mas que funcionaria muito bem pra mim, seria assim: a vida é um delicioso bolo de chocolate e os filhos são a cobertura de brigadeiro mole. Passaria a vida inteira comendo só o bolo e já estaria muito bom, mas depois que você experimenta com a cobertura, o bolo puro fica tão sem-graça!

Ter ou não ter filhos? Não ouso responder esta pergunta. É complexa e pessoal demais e nem acredito que tenha uma resposta certa. Pode ser que nem toda mulher tenha nascido pra ser mãe, mas se ela tiver filhos, vai achar que nasceu pra isso. Compreendeu?

comentários

  1. Puxa Rê!! Comigo aconteceu igualzinho. Não planejamos muito e sempre tive um pouco de medo de ser mãe. Mas, depois que eles nasceram, não consigo ficar muito tempo longe e realmente esse amor que sentimos é único e especial, apesar do trabalhão que dá…rs
    Adorei.
    Beijos

  2. Izabel disse:

    Compreendi e tenho pensado com muito cuidado no assunto. Um beijo

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