Seis Sentidos

18
OUT
2012

Inspirações

Olho

Vocês já tiveram vontade de comer um lugar, uma paisagem bonita ou alguma coisa absolutamente-não-comestível, mas pela qual se apaixonaram? Comigo acontece sempre e hoje me ocorreu que a visão é um sentido que não sacia. Tem coisas que eu olho, continuo olhando pelo tempo que dá pra olhar, mas não fico satisfeita. Parece que eu preciso do paladar (ou talvez do tato) pra sossegar.

As videocalls do Skype também não resolvem a saudade quando o marido está viajando – preciso tocar, abraçar forte. Só olhar não basta. Se tem uma coisa que me angustia nos filmes são aquelas cenas em presídios em que os visitantes só podem ver os presos pelos vidros, conversando com eles através de uma espécie de telefone. Tenho ímpetos secretos de estilhaçar aquele vidro com uma machadada bem dada e deixar que o abraço aconteça.

Isso tudo pra contar que hoje tive vontade de comer um ipê rosa arrebentando de flor e ontem, queria comer a loja da Ladurée (não os macarons, mas a loja em si).

Nossa unidade é um mistério e um milagre. Não consigo eleger um sentido mais importante (ou o menos importante). A perfeição só existe com os seis: visão, audição, olfato, tato, paladar e o sexto-sentido, talvez o mais inexplicável, o sentido do sentir. Sentir amor, raiva, sentir saudade, paz de espírito ou, ainda, pressentir. Através dos cinco primeiros sentidos, as coisas entram na gente e através do sexto, elas saem. Tenho uma teoria, que desenvolvi há 2 minutos, que supõem que quanto mais coisas bonitas deixamos entrar, mas coisas bonitas sairão. Talvez por isso o belo nos atraia, talvez por isso a arte seja necessária e talvez por isso a gente feche os olhos diante de uma cena muito feia. Faz sentido pra vocês? Acabou de fazer pra mim. Quanto uma música pode mexer com nosso íntimo ou um cheiro pode nos fazer viajar no tempo? Nossa, que coisa incrível são nossos sentidos!

Daí a teoria que acabei de criar se desvia um pouco, junto com meus pensamentos, e me faz concluir que uma das sensações mais ricas que uma pessoa pode experimentar é o sexo com amor, ou fazer amor, como queiram. Não é à toa que é deste gesto que todos viemos. Quando feito com o cuidado que merece, consegue unir magicamente todos os sentidos e é inacreditavelmente bom, um presente divino com o qual a raça humana foi agraciada. É uma pena tanta coisa negativa ter sido vinculada a algo tão bonito. Felizmente, venho conseguindo limpar muita coisa ruim acumulada em séculos de tabu e o sexo passa ser uma constante descoberta. Num momento de intimidade inigualável, dois viram um.

Encerro a viagem filosófica com minha receita para uma deliciosa noite de amor. Uma alquimia dos sentidos. A fórmula não é secreta, mas não custa nada espalhar…

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comentários

  1. lilia disse:

    Muito criativo , Re .As fotos foram muito expressivas . Gostei !
    Um beijão .

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