Patinho feio?

20
ABR
2013

Inspirações

Cisne

Ontem, fui deitar feliz e bem surpresa com a repercussão do último post, recorde absoluto de curtidas (mais de 300!) e também de acessos no blog num único dia. O vídeo apresentado no post é realmente incrível, mas entendo que no momento que a pessoa aperta o botão do “curtir” ela está, mais do que curtindo, endossando, aprovando, concordando com a mensagem profunda sobre a qual o vídeo nos leva a refletir. Então, quando vi aquele número crescente de acessos, curtidas e compartilhamentos, pensei: estamos todas cansadas disso, chega de cobranças. Lei Áurea, por favor.

Coincidência ou não, ao me deitar, comecei a ler uma entrevista com a jornalista e escritora Marina Colasanti, publicada na edição deste mês da Vila Cultural, revista editada pela Livraria da Vila, e me deparei com o seguinte trecho de um de seus livros:

“Jamais hei de saber a imagem que os outros têm de mim. Eu me conheço dos espelhos, das fotografias, dos reflexos, quando meus olhos param para se olhar e a diferença de ângulos impede criar uma dimensão real. Não sei os movimentos do meu rosto. Nunca me vi pela primeira vez. Tenho, de mim mesma, uma ideia preconcebida que alia o espírito aos traços fisionômicos e ao desejo de uma outra beleza. Criei, assim, uma pessoa invisível, mais real, para mim, do que qualquer outra. Dessa pessoa eu gosto. E, talvez por saber-me sua única amiga, ela me enternece profundamente.”

Fiquei extremamente tocada pelo amor, pela amizade e o amparo que ela oferece a si mesma. Que forma interessante de enxergar-se: como a uma outra pessoa que você escolhe gostar, tratar bem, respeitar, acolher. Auto-generosidade, eu diria e adoraria que virasse moda. Uma das coisas mais difíceis que enfrentei na época que tive pânico, já relatado aqui no blog, e nos vários anos seguintes, foi o fato de não poder contar comigo. Eu não confiava em mim e por muito tempo não me olhei nos olhos. Aprendi, depois de longos anos de terapia, a ser mais tolerante e generosa em relação às minhas imperfeições e falhas. Ainda dou grandes vaciladas, continuo encontrando dificuldade pra me perdoar, mas já posso contar comigo – eu e eu nos abraçamos quando a coisa aperta, aprendemos a ficar a sós e a gostar desses momentos. Foi um esforço muito bonito de reconquista e me orgulho disso.

Além do trecho do livro, a entrevista com a escritora ainda trouxe outra pérola: questionada sobre a possível razão das pessoas se encantarem ou se surpreenderem tanto ao constatar que ela está “tão vital, tão bonita e tão elegante aos 70 e poucos anos”, ela responde:

“Setenta e cinco, não precisa ser discreto. Talvez porque ao envelhecer muita gente se afasta da vida, enquanto eu estou até mais encantada com ela do que estive na juventude. Estando mais próximo o momento de perdê-la, quero aproveitar cada minuto. Suponho que neste caso a beleza não seja estética, bonito é quem brilha de paixão pelo que faz“.

Sem mais, desejo ótimo final de semana de sol pra vocês!

comentários

  1. lilia... disse:

    Eu tinha , pelo menos agora aos 66 anos , de poder contar comigo; .. que bom que vc consegue , filha .Sei como deve ter sido dura esta sua luta . Infelizmente esse meu outro ‘eu’ é mesmo o Lexapro Beijos

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