Intensidade

24
ABR
2013

Inspirações

Intensidade

Na primeira noite que a minha primeira filha dormiu em casa, logo após voltarmos da maternidade, lembro de ter ido até o quarto dela e ficado, ainda um tanto incrédula, olhando pra beleza daquele serzinho delicioso, que agora era meu. Mas na mesma proporção que eu experimentava este amor novo e avassalador, exclusivo às mães recém-paridas, brotou um medo enorme dentro de mim. O medo de não poder protegê-la das coisas ruins desta vida, medo de faltar, medo da dor, medo da perda. Este amor e este medo permanecem dentro de mim, dividindo casas vizinhas. E ocuparam novos cômodos porque, quatro anos depois, também ganhei um rapazinho apaixonante.

Às vezes, quando estou no aconchego gostoso do abraço do meu marido (o melhor lugar do mundo pra mim), junto com o amor profundo que sinto por ele vem a certeza de que um dia aquilo vai acabar. Não o amor, mas a vida. Tudo tem mesmo um fim, sempre.

Vocês devem estar pensando: “nossa, como a Renata está deprê hoje, quanto pessimismo, quantos pensamentos ruins, como está negativa!”. Na verdade, sou o avesso disso. Eu sou de bem com a vida, acho sempre que tudo vai dar certo, acredito no bem dentro das pessoas (às vezes, até demais), qualquer manifestação de amor me emociona, encaro cada dia como uma página em branco cheia de possibilidades e agradeço a Deus por isso nas primeiras orações da manhã. Adoro a vida, amo viver.

Acontece que esta plena consciência da finitude que tanto me assombra, ao mesmo tempo me faz querer aproveitar cada instante com muita intensidade. Não gosto de desperdiçar meus dias com apatia, com mau humor, com picuinha, com preguiça, nem mesmo com livro ruim! Talvez seja também por isso que eu goste tanto de escrever e de fotografar. Ao escrever, revivo, crio uma prova real do que vivi. Ao fotografar cristalizo momentos bons, garanto o registro. Não deixo minhas lembranças sob a guarda frágil da memória.

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“Seja quente ou seja frio, não seja morno que te vomito.”

(Apocalipse 3, 15-16)

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Apesar de estar sempre em busca do equilíbrio e de acreditar que a virtude está no meio, esta passagem bíblica sempre falou muito ao meu coração. Não consigo me contentar com o morno. Nem no meu café com leite, nem na vida. Gosto da intensidade. Tem gente que associa intensidade à aventura, adrenalina, loucura. Pra mim, intensidade é estar presente, atenta, grata, amar o quanto eu puder, saborear os dias ao invés de apenas engoli-los.

Eu adoro final de semana, mas viver esperando por ele significa desperdiçar os outros cinco dias, mais ou menos 70% da nossa vida. Não dá, né?

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