Infância

03
JUL
2012

Inspirações

Gaveta

Percebo uma relação muito desproporcional entre o tempo que a infância dura e o peso que ela tem para o resto da nossa vida. São uns 10 ou 11 anos que vão servir de alicerce pra tudo o que vier pela frente. Um ano na vida da criança é uma eternidade, a gente cresce acreditando nisso e depois se assusta quando vê que 12 meses, na verdade, são muito pouco, a infância distorceu nossa noção de tempo pra sempre. Eu tive uma infância muito boa, lar estruturado, pais cuidadosos e presentes, três irmãs queridas (que, confesso, amo mais hoje do que amava na época…), férias na fazenda dos avós, primos, viagens e alguns passeios deliciosos! Não lembro de tudo, mas lembro de muita coisa boa.

Hoje foi um dia pra relembrar. Acho que deve ser comum a gente querer mostrar para os filhos as mesmas coisas que viu ou fez quando tinha a idade deles e que ficaram guardadas na “gaveta das lembranças gostosas”. Levei as crianças ao Instituto Butantan, em São Paulo e no caminho tentei fazer as contas pra saber há quanto tempo meus pais tinham me levado lá – considerando que eu era criança, deve ter perto de uns 30 anos! Eu não me lembrava de quase nada, mas sabia que tinha gostado muito do lugar. A única cena vívida na minha cabeça é do meu pai dando um baita susto na minha mãe – ela estava debruçada sobre o peitoril do serpentário, pouco a vontade porque tem horror a cobra, quando meu pai pinçou o calcanhar dela com a ponta dos dedos – ela soltou um berro e ele chorou de tanto de rir (nós também!). Contei esta passagem pras crianças hoje, no caminho de ida e, adivinha? Pregaram a peça uns nos outros durante a visita toda! Bom, muito bom.

Minha filha está vivendo os últimos anos da sua infância e, recentemente, me fiz uma pergunta inquietante: será que estou fazendo tudo que posso pra que a “gaveta das lembranças gostosas” dela também fique cheia e bem pesada? A culpa teimosa que mora no coração das mães que trabalham fora me deixa na dúvida, mas, sim, acho que estou fazendo o melhor que posso. Temos momentos deliciosos guardados e registrados em muitos álbuns de fotos (uma das minhas paixões). Por via das dúvidas, fiz uma listinha de mais algumas coisas que precisamos fazer juntos enquanto ainda tenho a infância deles a meu favor, coisas que só se faz enquanto se é criança (ou na companhia delas). Preciso correr, porque o ano, como bem sabemos, dura bem menos do que um ano.

O próximo item da lista é um acampamento no quintal, com direito à fogueira e marshmallows derretidos – aguardem relatos!

Butantan21 Infância

linha2 Infância

  • Instituto Butantan
  • Av. Vital Brasil, 1500 – Butantã – São Paulo/SP
  • Funciona de terça a domingo, das 9 às 16h30
  • Ingressos: adulto R$ 6,00 / crianças acima de 7 anos R$ 2,50 / crianças até 7 anos não pagam

comentários

  1. Lela Valias disse:

    Novamente sem comentários…. Minha infância foi a sua, e como não lembrar do susto da mae….

  2. Carla Valias disse:

    Me lembro dessa “pegadinha” que o pai fez, e adorei lembrar dela lendo seu texto. Obrigada por ter levado minha filhota nesse passeio tão gostoso ! Bj

  3. Gostaria de lembrar de mais detalhes de minha infância. Por alguma razão não consigo. Esse era um dos temas de minha terapia que pretendo retomar ainda esse ano. Com meus filhos sinto enorme prazer em proporcionar momentos de liberdade e diversão. Mas lendo sua mensagem percebi que posso muito mais. Na verdade sinto que após a partida do Luiz estou aprendendo a viver de verdade e dar muito mais valor as coisas simples e especiais. Por isso amei o que li sobre sua história. Beijos

    • admin disse:

      Oi, querida! Delícia te ver por aqui! Tenho certeza que vc foi a melhor mãe que o Luiz poderia ter e que será ainda mais maravilhosa para a Cecília, curtindo e ensinando pra ela os encantos das coisas simples, mas verdadeiras! Beijo enorme pra vcs!

  4. Vanessa Aveiro disse:

    Re, amei! Bj

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