Divisor de Águas (Parte IV): “Setas”

07
AGO
2012

Inspirações

Prayer

Um certo dia, quando percebi que o pânico me tinha nas mãos de novo e que eu não poderia mais com ele, minha alma, exausta, deitou-se no chão, diante dos pés de Deus, e suplicou mais ou menos assim: “Pai do Céu, eu não acredito que o Senhor me queira assim, eu tenho certeza absoluta que existe um grande propósito pra mim nesta vida e não há de ser viver assim, com medo de mim mesma. Eu só posso acreditar que há uma razão muito importante pra eu estar passando por isso. Então eu te peço, com toda fé que existe em mim, permita que eu entenda qual é essa razão e encontre o caminho pra eu voltar a ser quem eu era”. Repeti esta súplica por muito tempo e Ele me atendeu em tudo, menos em permitir que eu voltasse a ser quem eu era. Eu sou infinitamente melhor.

Dias depois, fui buscar ajuda na homeopatia, acreditava que poderia me acalmar. O médico, que tenho como amigo hoje, me sugeriu buscar a terapia pra que eu pudesse entender a origem de tudo aquilo. Ele me deu o telefone de uma psicóloga com a recomendação de que era “uma das mais sérias e competentes” profissionais da cidade. Tinha resistências sobre o assunto naquela época, mas agendei uma consulta mesmo assim. Olhando pra trás, vejo que esta foi a primeira seta que Deus me apontou.

Minha psicóloga mantém em sigilo o nome dos pacientes que atende, por isso, em respeito à sua privacidade, vou chamá-la apenas de A. (A da inicial do seu nome, A de anjo, A de abençoada, A de a melhor de todas). Cheguei receosa ao seu consultório, vi o divã logo de cara e pensei “ali eu não sento de jeito nenhum!”, quanta ignorância. Resumi toda minha história pra ela, desde a primeira crise de pânico, 4 anos antes, até as mais recentes e disse que queria me curar, sem saber que a palavra “cura” não é utilizada no tratamento das doenças psíquicas. Ela percebeu logo que eu não estava nada bem e recomendou que iniciássemos o tratamento com 2 sessões semanais.

Simultaneamente às primeiras sessões de terapia, comecei a freqüentar o grupo de oração Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que se reunia todas as quintas-feiras, na casa da Yara, outro anjo que mora aqui na Terra. O grupo faz parte do movimento da Renovação Carismática, conhecido pelo fervor de suas orações, pelos bonitos testemunhos de fé e transformação. Eu precisava daquilo, precisava ver milagres acontecendo, precisava sentir o contato físico da presença de Deus. Nossa, e como eu senti! Me emociono só de pensar, tamanha a minha gratidão àquelas pessoas. Foi a segunda seta.

Os primeiros meses (às vezes, anos) de uma terapia bem feita costumam ser muito difíceis, muito intensos e doloridos. Pra mim, que já comecei o processo fragilizada, foi di-fi-cí-li-mo. Eu ficava muito tensa e ansiosa, porque ao contar o que se passava comigo, eu revivia e o corpo, que não distinguia a realidade da lembrança, sentia tudo de novo. Algumas sessões eram, na verdade, como pequenas crises de pânico, tamanho o volume de adrenalina que corria no sangue. Minha irmã, que fazia Psicologia na época, dizia que isso era bom, era sinal de que a terapia estava surtindo efeito. Putz, valeu mesmo, hein!?

Depois de algumas semanas, a A. percebeu que a terapia estava sendo muito custosa pra mim e sugeriu, com todo jeito, que entrássemos com algum medicamento pra me ajudar durante esta fase inicial. Eu fiquei chateada, afinal estava ali justamente pra não precisar mais disso. Eu não queria ficar anestesiada do sofrimento como fiquei com o Anafranil; aquele tempo, apesar de bom, tinha sido uma ilusão. Ela insistiu dizendo que o remédio faria menos mal pro meu organismo do que toda aquela ansiedade, que seria temporário e que um bom psiquiatra indicaria a melhor medicação pra minha situação, pra diminuir a ansiedade sem me tirar a percepção do problema. Desta vez, a recomendação médica foi a sertralina (este é o princípio ativo, não me lembro mais o nome do remédio). De fato, as crises de ansiedade cessaram, mas o problema continuava presente e eu queria resolver. Foi a terceira seta.

Durante pouco mais de um ano, este foi o tripé que me sustentou: a terapia, a oração e a sertralina. Aos poucos, bem devagar, fui recuperando a confiança em mim mesma, a alegria de viver, a certeza de que estava no caminho certo, absolutamente certo se considerarmos quem foi fincando as setas, não é?! Quanta gratidão!

O mais bonito estaria por vir. Conto amanhã!

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I will follow Him…

(só pra alegrar a tarde!)

comentários

  1. …estou aqui todos os dias, esperando amanhã, quero te ouvir ou ler, não sei!
    Beijo com carinho!

  2. Daiana disse:

    Ola querida venho aqui para te desejar toda a sorte do mundo e dizer que temos um Deus .. grandioso que sua misericórdia é imensa .. deixe todas as coisas nas mãos dele

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