“I’m a dreamer, but I’m not the only one” (J. Lennon)

10
JUL
2012

Pequenos Grandes Prazeres

SantaElisa1

Saudações mineiras a todos vocês!

Escrevo diretamente da Fazenda Santa Elisa, no Sul de Minas, lugar de encontro com uma porção das melhores lembranças da minha infância. Quando eu era criança, a fazenda era do meu tio-avô, médico respeitado, fazendeiro bem-sucedido e solteirão convicto que soube aproveitar muito bem vida. Quando ele morreu, deixou a fazenda para meu avô e há 5 anos, quando meu avô morreu (ai, que saudade) deixou a fazenda para os seus 6 filhos, o que inclui minha mãe. E hoje eu estou aqui, me sentindo em casa.

A sede da fazenda é bem grande, foi construída há quase um século pelos primeiros proprietários que não pouparam nos vitrais, nos azulejos europeus e na pintura artística das paredes de todos os cômodos – uma coisa linda, que não se faz mais hoje em dia! Por causa do tamanho, a casa era sempre escolhida para as festas da família e muitos Natais inesquecíveis. Foi aqui que acho que vi o Papai Noel de relance e também deve ter sido aqui que descobri que ele não existe e onde me apaixonei platonicamente por quase todos os meus primos mais velhos (um de cada vez, claro).

Existe um vale de muitos anos que me separa dos meus sonhos infantis, mas quando olho pra essa alameda de palmeiras imperiais que aparece na foto aí de cima, num piscar de olhos sou menina de novo e continuo vendo a mesma cena: eu vestida de noiva, cruzando todo este caminho sob as palmeiras e os olhares admirados dos convidados, me casando ao pé da escada, sei-lá-com-quem – nossa, quantas vezes eu fiquei pintando esta cena na minha cabeça! Passava horas sonhando com coisas deste tipo.

Acontece que eu ainda passo. Eu sonho demais, sempre acordada. Crio roteiros de um filme inteiro na cabeça. Sonho coisas grandes, algumas bem impossíveis, mas não consigo evitar. Eu gosto. Imaginação é o que não me falta. Sonho com a mesma liberdade de quando era criança, a diferença é que agora, quando vejo a mais remota chance de tornar aquilo real, não sossego, dou um jeito. Muita coisa que é realidade na minha vida hoje, foi um sonho tempos atrás. Este blog mesmo é um ótimo exemplo – já sonhei tantas vezes em passar a vida escrevendo, num cantinho gostoso e inspirador, tendo algum doido no mundo que se interessasse em ler e, voilá, cá estamos nós!

“Corra atrás dos seus sonhos” é uma frasezinha tão piegas, tão lugar comum, tão auto-ajuda que me dá um desgosto danado colocá-la num texto meu, mas como evitar? É uma das coisas que melhor faço na vida! Quando não tenho onde ir, visito meus sonhos ou invento um novo. As vezes meu marido, meus pais ou meus amigos dão risada e me chamam de louca, mas eu sei que quase sempre eles adoram fazer parte da minha loucura – agora é a vez de vocês, sejam bem-vindos!

Fotos que tirei hoje, dos meus cantinhos preferidos da fazenda…

SantaElisa2 Im a dreamer, but Im not the only one (J. Lennon)

O Dia Que Conheci João Ubaldo Ribeiro

06
JUL
2012

Pequenos Grandes Prazeres

João Ubaldo

Entre todas as formas que eu poderia batizar o dia de ontem, decidi que deveria ficar conhecido como “O Dia Que Conheci João Ubaldo Ribeiro”. Ele não me conheceu, mas eu o vi (e ouvi) bem de perto e pra mim isso basta. Fomos à FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty, eu e a mulher do meu sogro (não sei se existe uma terminologia certa para “mulher do sogro” quando esta não se trata da sua sogra, mas eu prefiro me referir a ela apenas como uma amiga querida). Há muito tempo tenho vontade de visitar o evento e coloquei na cabeça que deste ano não passava! Fizemos bate-volta até Paraty e o dia foi tão bom, mas tão bom, que eu cheguei em casa sem vestígios de cansaço.

A FLIP já se tornou um dos principais festivais literários do mundo, com a presença de autores nacionais e internacionais premiadíssimos que enchem as ruazinhas centenárias e charmosas de Paraty com muita cultura, muitos debates literários, muitas ideias e estórias – um ar delicioso de respirar! Fiquei surpresa com o caráter popular do evento, imaginei que encontraria um pouco da arrogância velada que paira em boa parte dos eventos de arte, mas errei feio! Todo mundo muito à vontade, pessoas das mais diversas ‘tribos’, muitas crianças das escolas locais, artistas alternativos (tinha um vendendo declamação de poemas por R$ 1,00 – com cardápio de poesias e tudo!) e até uma manifestação pública de uma galera de Trindade, praia-paraíso-em-crise ali de perto. Muito rapidamente, me senti em casa!

Chegamos a Paraty por volta das 10h30 e conseguimos ingressos para a tenda do telão que projetaria em tempo real a mesa composta por João Ubaldo RibeiroWalcyr Carrasco e medição de Edney Silvestre, cujo tema era “Cem Anos de Jorge Amado”. A conversa entre eles foi espetacular, divertida, inteligente, curiosa. E pro João Ubaldo tenho apenas uma definição: extraordinário. Ele e Jorge Amado foram amigos muito próximos e ele foi generoso em dividir com a platéia momentos de convívio e intimidade que jamais conheceríamos de outra forma. Teria ficado o dia inteiro ali, ouvindo aqueles três. Estava me sentindo como um estilista iniciante num desfile da Prada ou um estudante de gastronomia diante do estrelado Ferran Adrià. Puro deslumbramento!

Almoçamos uma deliciosa peixada baiana no Restaurante do Hiltinho, acompanhada de uma merecida taça de prosecco geladinho. O brinde foi em honra daquele exato instante e, claro, de João Ubaldo. Pequenos grandes prazeres.

A mesa da tarde foi composta por Enrique Vila-Matas, escritor espanhol e pelo chileno Alejandro Zambra, com mediação do jornalista e editor Paulo Roberto Pires. O tema era interessante, mas depois do que assistimos pela manhã e de duas taças de prosecco, deu sono. Recuperamos as energias vasculhando os milhares de títulos da Livraria da Vila, montada exclusivamente para o evento. Eu comprei, não por acaso, “A Visita Cruel do Tempo”, da premiada Jennifer Egan. Não sei bem o que vou encontrar (tenho um pouco de medo de livros aclamados pela crítica!), mas divido com vocês depois, se valer a pena.

Última parada para um sorvete, uma xícara de café e estrada. Voltamos felizes da vida e com assunto pro percurso inteiro!

Fotinhos pra ilustrar…

FLIP1 O Dia Que Conheci João Ubaldo Ribeiro

FLIP3 O Dia Que Conheci João Ubaldo Ribeiro