Quarentonas no Rio…

04
DEZ
2012

Inspirações

Quarentonas no Rio

Cumplicidade é condição básica para a amizade feminina, pelo menos para as verdadeiras. Não no sentido de acobertar pequenos (ou grandes) delitos, mas cumplicidade no sentido de identificação, de solidariedade, de “estamos no mesmo barco”. Tenho sentido a cumplicidade cada vez mais presente nas minhas amizades, principalmente naquilo que se relaciona às perdas e ganhos desta fase da vida. Os papos são cada vez mais intensos e maduros, apesar da intimidade e do vínculo adolescente sempre invocarem o besteirol… que delícia!

Conheço um grupo de seis amigas que observo de longe, pois sou próxima apenas de uma delas, a Silvia, que, aliás, é autora da frase acima. Elas se conhecem há mais ou menos 25 anos e estão todas na faixa dos 40-42. São muito unidas e se adoram, apesar de terem temperamentos e ritmos de vida muito diferentes. Há poucos anos, batizaram o grupo de “coesas” e, na brincadeira, criaram até um regulamento interno. Dá pra imaginar a farra!

Em julho deste ano, programaram um final de semana muito especial no Rio, pra comemorar a chegada dos quarenta e também a amizade tão duradoura. A programação incluiu Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Confeitaria Colombo, almoço no Aprazível, Rio Scenarium, praia do Leblon… enfim, um monte de lugares lindos, mas que não passaram de coadjuvantes do grande propósito do fds: curtir as amigas. Qualquer lugar seria o paraíso e o Rio, claro, fez bonito.

Adorei a ideia das meninas e quis dividir por aqui, quem sabe inspira outras amizades gostosas como esta a celebrar da mesma forma?! Eu já estou mexendo meus pauzinhos…

linha Quarentonas no Rio...

Fotos gentilmente cedidas

pelas Coesas…

Quarentonas no Rio11 Quarentonas no Rio...

Quarentonas no Rio2 Quarentonas no Rio...

Crise dos 40?

13
nov
2012

Inspirações

Quarentões

Passado o susto desagradável com o hacker que resolveu passear no Melhor aos Quarenta, volto a escrever cheia de vontade! É bom estar aqui, me sinto em casa com vocês. Não os ouço, mas pra mim funciona como um bom bate-papo, gosto até de tomar um cafezinho fresco enquanto escrevo!

Há umas três semanas, uma amiga me ligou dizendo que o programa da Fátima Bernardes daquele dia, traria uma matéria sobre a crise dos 40; agradeci a dica e coloquei o programa pra gravar, pois não conseguiria assistir ao vivo. Muito bem, consegui assistir apenas hoje e me surpreendi ao descobrir que se tratava da crise dos 40 para os homens, fiquei bem curiosa e gostei do que vi e ouvi. Os quarentões convidados eram Márcio Garcia (42) e Marcelo Faria (40) e a considerar pela opinião deles e de vários outros anônimos abordados nas ruas do Rio de Janeiro, os homens têm bem menos grilos (essa é pra declarar a idade!) com a chegada dos “enta” do que a gente. As preocupações deles giram em torno das realizações profissionais e afetivas e da saúde (nada sobre rugas). De acordo com Márcio Garcia, a crise dos 40 está fora de moda (concordo!), “se for pra ter crise, que seja aos cinqüenta; tirando o joelho, a gente só muda pra melhor!”. Um homem abordado na rua disse sabiamente que “só não envelhece quem morre cedo” – o que você prefere?!

Monica Portela, especialista em Psicologia do Desenvolvimento, da UFRJ, e pesquisadora sobre as mudanças de comportamento de acordo com a idade, estava na platéia e fez algumas colocações muito interessantes, que valem igualmente para homens e mulheres. Ela explicou que, estatisticamente, os quarenta anos são a metade da vida, então é comum as pessoas se angustiarem pela constatação de que “se não for agora, não será nunca” e é isso que costuma gerar uma crise existencial. Em tese, as pessoas têm a opção de encarar os 40 como o início do fim ou o momento de um grande, rico e delicioso recomeço. (Fico com segunda, claro).

Na primeira metade da vida, o mais comum é cumprirmos com as metas sociais: faculdade, profissão, casamento e filhos. Nos sentimos realizados com estas conquistas, pois é isto mesmo que buscamos, mas depois de tudo conquistado pode surgir certa inquietação – e agora, é só isso? É nesse momento que a vida nos pede mais significado, é a hora que nos sobra tempo pra ouvir o que a gente quer – um sonho antigo que ficou guardado, uma obra inacabada, às vezes um olhar pra fora do nosso confortável mundinho e o descobrir-se na generosidade e ajuda ao próximo. É simplesmente querer fazer algo a mais, algo que ninguém nos pediu, mas que a consciência insiste em sussurrar.

“Não tenho medo de mudanças,

meu medo é que as coisas nunca mudem.”

Esses dias li esta frase, mas não me lembro onde e nem quem falou, só sei que adorei. Querer mudar (ou complementar) não significa que não tenhamos feito as escolhas certas até agora, mas que precisamos de coisas novas – novas demandas de um ser em constante evolução.

(Quer uma sugestão? Se tiver algo te cutucando, ouça, reflita… talvez seja a hora de fazer alguma coisa).

O que é sucesso pra você?

05
NOV
2012

Inspirações

Sucesso

Há uns cinco ou seis anos, fiz um curso cujo tema era “O Que é Uma Vida Bem Sucedida?”, ministrado pelo Prof. Clóvis de Barros Filho, um cara extraordinário que ocupa a cadeira de Filosofia da USP. O curso aconteceu em cinco encontros e em cada um deles, o professor respondia à pergunta-tema sob a ótica de um grande pensador da História: Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho e Nietzsche (acho que eram esses, faz tanto tempo…). As aulas eram uma “viagem” só, nunca tinha feito um curso na área da Filosofia, feito só pra gente pensar – amei! Infelizmente, não consegui ir a todas as aulas e também não me lembro direito qual era a resposta de cada pensador, o que eu me lembro bem (e ficou registrado com clareza até hoje) é que o sucesso é algo absolutamente relativo.

Se nos deixarmos contaminar pelo conceito estabelecido hoje em dia, só vamos ser bem-sucedidos se tivermos dinheiro, muito dinheiro. Acho isso pouco e, no mínimo, incompleto. Acredito que sucesso tenha mais a ver com alcançar minhas próprias metas, realizar sonhos e cumprir com aquilo que meu coração pede pra eu fazer, como conseguir buscar meus filhos na escola, por exemplo. É claro que dinheiro é (muito) bom, mas em algumas grandes e acertadas decisões que tomei na vida (como largar tudo pra começar a escrever), precisei não pensar nele, e nunca me arrependi. Trazer pra nossa vida o que os outros julgam ser sucesso pode ser bem arriscado e frustrante, penso eu. Mais um ponto para os meus “quase 40”, fase da vida em que quem decide o que é sucesso na minha vida sou eu!

Lembrei de tudo isso, porque uma amiga me mandou um email esta semana, com um texto incrível do escritor mexicano Armando Fuentes Aguirre, que passou pro papel tudo que passa pela minha cabeça. Aí vai:

linha O que é sucesso pra você?
“Tenho a intenção de processar a revista “Fortune”, porque fui vítima de uma omissão inexplicável. Ela publicou uma lista dos homens mais ricos do mundo, e nesta lista eu não apareço. E eu sou um homem rico, imensamente rico. Como não? Vou mostrar a vocês:

Eu tenho vida, que eu recebi não sei porquê, e saúde, que conservo não sei como.

Eu tenho uma família, esposa adorável, que ao me entregar sua vida me deu o melhor para a minha: filhos maravilhosos, dos quais só recebi felicidades; e netos com os quais pratico uma nova e boa paternidade.

Eu tenho irmãos que são como meus amigos, e amigos que são como meus irmãos.

Tenho pessoas que sinceramente me amam, apesar dos meus defeitos, e a quem amo apesar dos meus defeitos.

Tenho quatro leitores a cada dia para agradecer-lhes porque eles lêem o que eu mal escrevo.

Eu tenho uma casa, e nela muitos livros (minha esposa iria dizer que tenho muitos livros e entre eles uma casa).

Eu tenho um pouco do mundo na forma de um jardim, que todo ano me dá maçãs e que iria reduzir ainda mais a presença de Adão e Eva no Paraíso.

Eu tenho um cachorro que não vai dormir até que eu chegue, e que me recebe como se eu fosse o dono dos céus e da terra.

Eu tenho olhos que vêem e ouvidos para ouvir, pés para andar e mãos que acariciam; cérebro que pensa coisas que já ocorreram a outros, mas que para mim não haviam ocorrido nunca.

E eu tenho fé em Deus que vale para mim amor infinito.

Pode haver riquezas maiores do que a minha?

Por que, então, a revista “Fortune” não me colocou na lista dos homens mais ricos do planeta?”

linha1 O que é sucesso pra você?

Também não entendi! A Forture tá totalmente por fora…

Absolutamente intocável!

30
OUT
2012

Inspirações

Driss

Semana passada fui ao cinema assistir Intocáveis. Se você também já viu, vai pensar “putz, o filme é mesmo bom demais!”. Se ainda não viu, por favor, vá – se possível, hoje.

Quando eu crescer, quero ser igual ao Driss, esse cara simpático da foto aí de cima, que protagoniza o filme. E isso não é força de expressão, eu realmente quero ser como ele quando crescer. A gente lê, estuda, reza, se esforça pra colocar em prática o que aprendeu, pra ser uma pessoa melhor, pra abandonar a superfície em busca da essência e entender a grandeza da vida e a incrível beleza do ser humano, daí aparece um cara que nem ele, que já nasce evoluído, que é pura compaixão, que essencialmente “é”, e ponto. E então, eu penso: “que coisa linda! Parece tão fácil, tão natural”. É verdade que lhe falta um pouco de tato, mas, convenhamos, ensinar boas maneiras é bem mais simples do que aquilo que o Driss nos ensina, sem nem se dar conta. E ele existe, não é personagem inventado – que ânimo isso me dá!

Quando olho pra foto aí de baixo, me pergunto: com que freqüência eu consigo tirar um sorriso destes das pessoas que vivem comigo ou que, simplesmente, cruzam meu caminho? E me respondo: bem menos do que gostaria. Mas, eu chego lá!

Intocaveis Absolutamente intocável!

linha Absolutamente intocável!

“A compaixão diferencia-se de outras formas de comportamento prestativo humano no sentido de que seu foco primário é o alívio da dor e sofrimento alheios. Pode ser descrito como uma compreensão do estado emocional de outrem e, geralmente, leva quem se compadece à ação. Compaixão nada tem a ver com pena. O olhar de pena acontece de cima para baixo, ou seja, quem sente pena, sente-se (consciente ou inconscientemente) superior ao outro e concluí que não há nada a ser feito. Quem sente compaixão é capaz de respeitar o outro, tratá-lo como igual, estender a mão sem tirar-lhe a dignidade.” 

Reconciliação

23
OUT
2012

Inspirações

nada

parislove98014 Reconciliação

Estava devendo a vocês uma novidade muito boa e não podia passar de hoje…

Vocês se lembram daquela história que contei aqui no blog sobre um casal muito querido que estava separado há alguns meses e sofrendo de amor? Pois muito bem, eles reataram! Estão sob o mesmo teto novamente, numa decisão madura e consciente de se dar uma nova chance. Não houve alarde, nem festa de comemoração, apenas deram as mãos de novo e estão trabalhando juntos na construção de um relacionamento mais feliz. Feliz estou eu em ter esse casal tão, tão amado juntos outra vez! Torcendo muito para que o diálogo reine absoluto daqui pra frente e para que esse casamento dê um bom romance!

Comentei com eles que escreveria este post e pedi que me respondessem (separadamente) algumas perguntas. Olha que bonito…

O que foi mais difícil durante o período que ficaram separados?

Ela: A dúvida. Dúvida se tinha feito a coisa certa, dúvida do que fazer.

Ele: A solidão que sentia, principalmente quando chegava do trabalho e a casa estava vazia, num silêncio total.

Qual a lição que fica?

Ela: Que temos que aprender a conversar e resolver as coisas pontualmente, antes que se transformem em grandes problemas.

Ele: Que sem diálogo fica muito difícil manter uma relação saudável e legal. Sem isso pode-se até viver a vida inteira juntos, mas tende a ser bem sem-graça!

Como se vêem no futuro?

Ela: Dialogando e felizes!

Ele: Espero que juntos (rsrsrsr)! Não crio expectativas e nem penso muito no futuro, mas, com certeza, não vou deixar ela fugir de novo, não!

Eu: acho bom mesmo!

linha11 Reconciliação

Casal, estou feliz demais e vocês sabem bem disso! Continuo por aqui, para o que precisarem, sempre.

Seis Sentidos

18
OUT
2012

Inspirações

Olho

Vocês já tiveram vontade de comer um lugar, uma paisagem bonita ou alguma coisa absolutamente-não-comestível, mas pela qual se apaixonaram? Comigo acontece sempre e hoje me ocorreu que a visão é um sentido que não sacia. Tem coisas que eu olho, continuo olhando pelo tempo que dá pra olhar, mas não fico satisfeita. Parece que eu preciso do paladar (ou talvez do tato) pra sossegar.

As videocalls do Skype também não resolvem a saudade quando o marido está viajando – preciso tocar, abraçar forte. Só olhar não basta. Se tem uma coisa que me angustia nos filmes são aquelas cenas em presídios em que os visitantes só podem ver os presos pelos vidros, conversando com eles através de uma espécie de telefone. Tenho ímpetos secretos de estilhaçar aquele vidro com uma machadada bem dada e deixar que o abraço aconteça.

Isso tudo pra contar que hoje tive vontade de comer um ipê rosa arrebentando de flor e ontem, queria comer a loja da Ladurée (não os macarons, mas a loja em si).

Nossa unidade é um mistério e um milagre. Não consigo eleger um sentido mais importante (ou o menos importante). A perfeição só existe com os seis: visão, audição, olfato, tato, paladar e o sexto-sentido, talvez o mais inexplicável, o sentido do sentir. Sentir amor, raiva, sentir saudade, paz de espírito ou, ainda, pressentir. Através dos cinco primeiros sentidos, as coisas entram na gente e através do sexto, elas saem. Tenho uma teoria, que desenvolvi há 2 minutos, que supõem que quanto mais coisas bonitas deixamos entrar, mas coisas bonitas sairão. Talvez por isso o belo nos atraia, talvez por isso a arte seja necessária e talvez por isso a gente feche os olhos diante de uma cena muito feia. Faz sentido pra vocês? Acabou de fazer pra mim. Quanto uma música pode mexer com nosso íntimo ou um cheiro pode nos fazer viajar no tempo? Nossa, que coisa incrível são nossos sentidos!

Daí a teoria que acabei de criar se desvia um pouco, junto com meus pensamentos, e me faz concluir que uma das sensações mais ricas que uma pessoa pode experimentar é o sexo com amor, ou fazer amor, como queiram. Não é à toa que é deste gesto que todos viemos. Quando feito com o cuidado que merece, consegue unir magicamente todos os sentidos e é inacreditavelmente bom, um presente divino com o qual a raça humana foi agraciada. É uma pena tanta coisa negativa ter sido vinculada a algo tão bonito. Felizmente, venho conseguindo limpar muita coisa ruim acumulada em séculos de tabu e o sexo passa ser uma constante descoberta. Num momento de intimidade inigualável, dois viram um.

Encerro a viagem filosófica com minha receita para uma deliciosa noite de amor. Uma alquimia dos sentidos. A fórmula não é secreta, mas não custa nada espalhar…

linha9 Seis Sentidos

Sentidos1 Seis Sentidos

linha9 Seis Sentidos