Quarentonas arrasam no Red Carpet!

25
FEV
2013

Inspirações

Oscar

Hoje, todos os blogs do universo devem estar falando sobre a entrega do Oscar 2013, que rolou nesta madrugada, e por que seria diferente aqui?! Tem gente que acha cafona, que desce a lenha em Hollywood e só quer saber de cinema alternativo. Eu também gosto, tem filme muito bom que a gente nem sabe que existe e me delicio quando descubro um, mas não tiro o valor das grandes produções, gosto de cinema de qualquer tipo, desde que me divirta, me acrescente, me toque. E eu AMO a entrega do Oscar! Por mais que digam que a coisa é arranjada e que ganha quem faz mais lobby, fico na torcida assim mesmo, choro com os vencedores (principalmente quando são os meus favoritos), babo naquela mulherada glamurosa e fico fascinada pela maravilha que uma bela produção é capaz de fazer!

Apesar de saber que nosso olhar vai mudando com o tempo e de acordo com nossos interesses, fiquei impressionada (e feliz!) em ver como as atrizes na faixa dos 40 anos dominaram e brilharam no tapete vermelho, ontem. Sem querer puxar sardinha pro nosso lado, mas as quarentonas (algumas quase cinquentonas) honraram nossa faixa etária e me encheram de orgulho! Palmas especiais para Naomi Watts, Catherine Zeta-Jones e Helen Hunt que ostentaram lindamente suas rugas (neste quesito, Nicole Kidman deixou a desejar…). Todas lindas, interessantes, elegantes e desejáveis – inspiração para nós!

Vamos às fotos…

Oscar Charlize Theron 37 Quarentonas arrasam no Red Carpet!Oscar Amy Adams 38 Quarentonas arrasam no Red Carpet!

linha4 Quarentonas arrasam no Red Carpet!

Oscar Jennifer Garner 40 Quarentonas arrasam no Red Carpet!Oscar Catherine 43 Quarentonas arrasam no Red Carpet!

linha4 Quarentonas arrasam no Red Carpet!

Oscar Jennifer Aniston 46 Quarentonas arrasam no Red Carpet!Oscar Naomi Watts 44 Quarentonas arrasam no Red Carpet!

linha4 Quarentonas arrasam no Red Carpet!

Oscar Nicole Kidman 45 Quarentonas arrasam no Red Carpet!Oscar Halle Berry 46 Quarentonas arrasam no Red Carpet!

linha4 Quarentonas arrasam no Red Carpet!Oscar Sandra Bullock 48 Quarentonas arrasam no Red Carpet!

Oscar Helen Hunt 491 Quarentonas arrasam no Red Carpet!

linha4 Quarentonas arrasam no Red Carpet!

Sobre os meus favoritos à estatueta, fiquei muito feliz com o Oscar de Melhor Ator para Daniel Day-Lewis, que brilhou em “Lincoln” (e está cada dia mais charmoso!) e o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante para Anne Hathaway que, para quem assistiu “Os Miseráveis”, foi o prêmio mais justo da noite! Mesmo que musical não seja a sua praia, vale MUITO a pena assistir ao filme, nem que seja só pela cena de Mrs. Hathaway interpretando “I Dreamed a Dream” – é de matar! Saí do cinema descomposta!

Xissssssss!

18
FEV
2013

Inspirações

Linguagem Univeral

Quando eu era adolescente, meus dois dentes da frente eram muito separados (dava pra colocar um palito de fósforo entre eles, cabia certinho, um horror!), mas a arcada dentária era bem feita e o dentista disse pra minha mãe que meus dentes eram ótimos, que o vão entre eles diminuiria com o nascimento dos sisos (aos 18!) e que era bobagem colocar aparelho dentário em mim. Eu achava aquele vão muito feio, morria de vergonha e, sem querer, criei o hábito de rir tampando a boca com as mãos. Fiz isso por um bom tempo até que um dia, durante uma conversa à toa, um garoto, que me paquerava há alguns carnavais, segurou o meu braço na hora que eu ia cobrir uma risada e, com uma leve e sincera irritação, me falou assim: “pára de ficar tampando a boca, você fica linda sorrindo!” – pode até ter sido um galanteio bobo, mas eu acreditei nele e nunca mais levei a mão à boca ao sorrir. Libertei meu sorriso e recuperei a espontaneidade que este gesto tão gostoso, bonito e saudável merece. Não tive muitas notícias do garoto depois da adolescência, mas gostaria que ele soubesse o bem que me fez.

É interessante pensar que no universo quase infinito das diferenças culturais – como os russos que se cumprimentam com beijo na boca, os escoceses que usam saia, os japoneses que se vestem de branco em sinal de luto e os chineses que arrotam sem cerimônia na nossa cara – o sorriso signifique a mesma coisa, em todos os lugares do mundo, em todas as culturas. Até os animais domésticos o compreendem. Vamos imaginar um rosto com um sorriso sincero, natural e espontâneo e tentar decifra-lo, como o da negra bonita que carrega um enorme cacho de bananas na cabeça, na imagem aí de cima –  o que podemos dizer dela, só por esta foto? Nossa, um monte de coisas, coisas boas. De alguma maneira, esta estranha ganha nossa simpatia. Agora, vamos tentar imaginá-la sem o sorriso, com um semblante mais sério. Fica bem mais difícil saber quem ela é, estará mais “fechada”, o que diminui nossa receptividade, não acham?

O sorriso tem poderes muito fortes. Não posso dizer que se trata de magia, porque os neurocientistas já decifraram todas as reações químicas que ocorrem no nosso cérebro diante de um sorriso, mas não deixa ser de natureza divina. É uma pena que, em geral, a gente seja tão mesquinho em relação aos nossos sorrisos. Na verdade, é uma mesquinharia bem burra porque, ao contrário de bens materiais que preferimos acumular só pra gente, os sorrisos, quando não oferecidos aos outros, simplesmente não existem. É um bem precioso que só é produzido ao ser ofertado. Quem poupa seus sorrisos fica mais pobre e empobrece a vida de quem está à sua volta.

Eu costumo ser uma pessoa bem-humorada, mas queria sorrir mais, principalmente a estranhos que me prestam serviços, como a caixa do supermercado, o porteiro, o frentista, o flanelinha. Às vezes, ao sair de uma padaria ou de uma farmácia, entro no carro e penso: “poxa, não custava nada ter dado um sorriso sincero ao invés desse bom dia chocho ao balconista. Da próxima vez, vou lembrar”. Às vezes lembro, às vezes não, mas continuo tentando estar atenta, até porque acho gostoso quando faço.

Ok, vocês podem estar pensando que tem tanta gente azeda por aí que nem merece um sorriso nosso. É verdade. Mas, de vez em quando, só de pirraça, sou extremamente gentil com uma pessoa grosseira ou mal humorada, só pra ver quanto tempo ela resiste às minhas gentilezas. É engraçado, mas o mais comum é a pessoa ficar desconfortável, um pouco desarmada, meio sem graça com a própria má vontade. Um sorriso sincero é uma prova concreta e visível de que há algo de bom dentro de nós e ninguém resiste à força que isso tem.

Ótima semana pra vocês (e lembrem-se de mostrar os dentes!).

linha3 Xissssssss!

“Quero que rias da noite,

rias do dia e da lua,

e rias das avenidas

retorcidas desta ilha,

podes rir deste rude

rapaz que muito te quer,

mas quando eu abro os olhos

para ir logo fechando,

quando meus passos vão,

quando meus passos voltam,

nega-me o pão, e o ar,

a luz, a primavera,

mas o teu sorriso nunca

porque assim morreria.”

 

Pablo Neruda

(Trecho do poema “O Teu Sorriso”)

Pra que servem os presentes?

22
JAN
2013

Inspirações

CasaVermelha

Adoro ganhar presentes na mesma proporção que adoro presentear. Gosto de pensar no gosto da pessoa, no que lhe seria útil, mas também no que a surpreenderia. Fico feliz que nem criança quando encontro o que nem sabia que estava procurando e me encho de ansiedade até a hora de entregar o presente! Acho que é por isso que me irrito um pouco com as compras de Natal, é sempre tudo tão corrido, tão mecânico que os presentes acabam não fazendo muito sentido pra mim, são mais protocolo do que manifestações de carinho. Prefiro os aniversários ou, melhor ainda, presentes espontâneos, inesperados, como os últimos dois que ganhei. Um deles foi uma caneca com o desenho de uma gatinha e uma corujinha, ambas usando óculos, e a inscrição: BBF. Ganhei de uma amiga querida, a Li, e ela disse assim: “comprei pra você usar no seu escritório novo”, mas eu escutei assim: “eu gosto muito de você, quero que você curta muito seu escritório novo e se lembre de mim quando estiver trabalhando nele”. O que dizer de um presente desses?

O outro presente foi um livro com cara de caderno chamado “642 Things to Write About”. E é isso mesmo, o livro/caderno traz 642 perguntas ou sugestões de pequenos textos, selecionadas por dezenas de escritores da San Francisco Writers’ Grotto, pra você escrever a respeito. Se eu gostei? Bom, acho que não preciso responder. Minha amiga querida, a Flá, disse assim, logo que chegou de viagem: “vi numa livraria e lembrei de você”, mas eu escutei assim: “te conheço pra caramba, sei de tudo que você gosta, porque somos amigas há muitos anos, e me deu vontade de comprar este livro porque gosto muito de você e queria te ver feliz”. O que dizer de um presente desses?

Na minha opinião, é pra isso que os presentes servem, pra manifestar carinho e dizer coisas que as vezes não sabemos bem como. A qualquer hora.

Amigas, meu coração agradece. Estou com a caneca (cheia de chá de laranja com canela) e com o livro (aberto) na minha frente, no meu escritório novo, fazendo uma das coisas que mais amo fazer, obrigada! Hoje de manhã, escolhi uma das 642 sugestões e escrevi o texto, que segue abaixo pra quem tiver curiosidade de ler.

linha4 Pra que servem os presentes?

Sugestão

Dois paramédicos estão com um paciente dentro de uma ambulância. O paciente tem cerca de 30 minutos para ser atendido antes de morrer, mas pode levar 20 minutos ou mais para chegarem ao hospital. Descreva o que está acontecendo dentro da ambulância.

Meu texto

Na última quarta-feira, quando saía da faculdade onde lecionava Estatística Aplicada para os alunos do quarto ano da Engenharia Ambiental e voltava pra casa, de bicicleta, aproveitando o início da noite ainda clara por causa do controverso horário de verão, percebi uma sombra escura à minha direita, como um eclipse, que logo me cobriu num grande impacto. Meu cérebro não teve tempo de processar que se tratava de um ônibus, nem que eu seria atropelado, nem que eu iria morrer, nem nada mais nos minutos seguintes.

Retomei a consciência num momento inoportuno. O teto do lugar era branco e muito baixo, com alguns ganchos pendurados, tinham dois homens de roupa azul ali comigo, um de cada lado. O que estava à minha esquerda dedilhava qualquer coisa no celular, talvez trocasse mensagens de texto com a namorada, o que estava à minha direita segurava uma máscara plástica sobre meu nariz e minha boca, mas olhava pra frente e dizia esta frase: acelera aí, Marcão, o cara não agüenta mais vinte minutos. Supus que o cara era eu, me dei conta de que estava dentro de uma ambulância e que sentia uma dor aguda no abdome.

Vinte minutos. Então era tudo o que eu tinha?

Fechei os olhos e os mantive bem fechados, até o final. Não queria passar meus últimos vinte minutos olhando para dois estranhos, preferi meus pensamentos, como sempre. A sirene barulhenta e a dor me entorpeciam e o estado de semi-consciência foi, na verdade, um momento de despedida que poucas pessoas têm a oportunidade de experimentar. Despedi-me dos meus alunos, sempre encontro alguns muito bons no meio da massa medíocre. Dediquei alguns longos segundos à Beatriz, aos seus cabelos compridos e o degradê bonito que descreviam das raízes castanhas até as pontas loiras, que iam morrer muito próximas dos seus belos peitos de moça. Graciosa, mas medíocre.

Despedi-me do Fubá, e tive certeza de que não poderia ter escolhido nome mais adequado pro meu fiel vira-latas. O pelo amarelado, os olhos cor de bala de caramelo, as orelhas desmoronadas e aquela cara de quem não valia grande coisa. Meu cúmplice, minha única testemunha. Senti uma angústia grande ao me despedir dele – quem cuidaria do meu amigo? Eu amava meu cachorro. Ou será que eu amava a devoção que ele tinha por mim?

Despedi-me dos meus livros e dos meus discos. Foram ótimas companhias, uma turma muito boa mesmo! Também pensei em dar um adeus à D. Françoise, minha vizinha e dona do meu apartamento (ela fingia que era francesa, inventava estórias românticas sobre o noivo que tinha morrido na guerra e eu fingia que acreditava), mas que coisa triste seria eu gastar meus minutos preciosos com uma senhora mentirosa e amargurada.

Despedi-me dos meus anos felizes, que ficavam no outro extremo da minha vida. Minha infância na casa de tijolos vermelhos e mato no quintal, minha mãe beijoqueira e risonha, por que será que eu limpava seus beijos com as mãos? Nunca me perdoaria por isso. Queria seus beijos agora. Minha nossa! Talvez eu ganhesse seus beijos agora! E desejei profundamente que meus vinte minutos se esgotassem. E eles se esgotaram e foi mesmo minha última quarta-feira, mas eu ainda não encontrei a minha mãe.

Adorável Mãe Chata

15
JAN
2013

Inspirações

Bagunça

Depois de quase quinze anos casada, resolvi virar dona de casa em quinze dias! Desde o começo do ano, estou fazendo uma varredura geral, passando por todos os cômodos, armários, gavetas e estantes. Arrumando lugar certo pra tudo, me desfazendo do que está quebrado ou fora de uso, etiquetando caixas e organizadores. Já foram vários sacos pro lixo, outros tantos pra doação e eu ainda estou na metade! Somado a isso, fiz cardápio semanal, compras fartas, mas precisas e… estou cozinhando! Fiz almoço no sábado (salmão ao molho de maracujá), no domingo (rosbife com purê de batatas e cebolas assadas) e anteontem fiz uma abobrinha light ao forno para o jantar, só que foi para o lixo… ficou ruim à beça, mas valeu a tentativa. Hoje vou tentar um kibe assado. Sempre começo no exagero, na empolgação, depois vou ajustando a dose. So far, so good. Estou curtindo. Acontece que notei um efeito colateral indesejado: estou chata pra cara…! Mil desculpas pelo (quase) palavrão, desculpas mesmo, acho super indelicado, mas é pra vocês entenderem o quanto estou chata. Estou igual a um sargento com as crianças, minha vontade é colocar aquelas fitas zebradas nas portas de cada cômodo que termino de arrumar – acesso restrito! A cada coisa que eles colocam a mão eu grito logo: “depois de usar, volte imediatamente pro lugar!”, é claro que eles não voltam, até ontem eu mesma deixava fora do lugar, aliás, não tinha lugar! A arrumação, pra ser duradoura, demandará novos hábitos. A considerar que eles estão de férias, os últimos dias têm sido tensos. Alguém sabe em que gaveta fica o meio-termo? Não to encontrando de jeito nenhum!

É claro que toda (boa) mãe tem sua porção de chatice. Ser legal é muito fácil, dizer sim é mais gostoso. Arrumar ao invés de pedir que arrumem é mais rápido. Abrir um pacote de bolacha é bem mais prático que descascar uma fruta. Deixar na frente da televisão ou do videogame é tranquilidade na certa, por algumas horas. Matar o banho ou pular uma escovação de dentes não é nenhum crime. Ser legal é tentador! Mas não dá… as consequências podem ser irreversíveis. As mães são chatas. Ponto. (Mãe, isso inclui você, mas te amo mesmo assim. Obrigada por toda chatice!). Vou continuar fuçando nas gavetas, uma hora encontro o equilíbrio. Talvez na cômoda da maturidade, entre o bom-senso e a intuição.

Isso me fez lembrar um hábito criado por uma amiga do meu marido que achei muito bem bolado. Ela instituiu, junto com os filhos, o Dia do Pode. Nesse dia da semana tudo (ou quase tudo) pode: pode jantar salgadinho, pode ver televisão até de madrugada, pode ficar sem banho, pode deixar a cama sem arrumar… enfim, pode tudo o que não pode nos outros dias. Além de ser divertido e relaxante pra família toda, a mãe  pode passar um dia inteiro sendo legal! A ideia não é mesmo muito boa?!

Qual metade você prefere?

14
JAN
2013

Inspirações

Martha Medeiros

Há alguns meses, recebi este texto de uma prima, que disse tê-lo lido no jornal O Globo, e lembrado de mim. Fico feliz quando lembram de mim por um motivo bom. O texto é da Martha Medeiros, o que, de cara, garante ideias inteligentes.

linha2 Qual metade você prefere?

Uma menina me perguntou certa vez: a vida da gente melhora da metade para o final? Ela deveria ter uns 14 anos, jovem demais para dividir a existência em duas partes e colocar suas esperanças na segunda. Já eu havia recém feito 40: estava me despedindo do ensaio geral e estreando na Parte 2, ainda sem saber o que estava por vir. Logo, o que responder?

Admiti que considerava encantadora a primeira parte: a virgindade existencial, os primeiros amores, a juventude do corpo, os sonhos projetados para frente, a morte a uma distância teoricamente segura. Não tinha como afirmar se a segunda parte possuiria munição suficiente para superar tanta vitalidade e expectativa, mas, dali onde eu me encontrava, seguia confiante, o futuro não me assustava. Apesar de ter vivido muito bem os primeiros 40, secretamente desejava que a resposta ao questionamento dela fosse um categórico sim.

Hoje aquela menina deve estar em torno dos 24 e ainda não tem sua resposta, mas garanto que anda tão ocupada que isso deixou de importar. Eu, no entanto, avancei um pouquinho na parte 2, porém continuo sem um parecer. Tenho apenas uma intuição.

Menina que não sei o nome: decretar o que é melhor, se a primeira ou a segunda metade da vida, é uma preocupação inútil – não perca tempo com isso. A única coisa que você deve ter em mente é o seguinte: o que fizer na primeira metade terá conseqüências na segunda, para o bem ou para o mal.

Se você for muito seletiva e insegura, acabará transferindo para mais tarde projetos que já poderiam ter sido experimentados. Procure viver as delícias de cada idade, arrisque-se. Se não conseguir, ok: então morra de amor, vá morar sozinha em Londres, entre para uma seita, monte uma banda, tudo isso aos 60, aos 70, e danem-se as convenções.

A maturidade traz ganhos reais. A ansiedade diminui, a teatralidade também: já não vemos sentido em agradar a todos, a opinião alheia deixa de nos influenciar. Essa liberdade de ser quem realmente somos me parece o benefício maior – os jovens não percebem, mas sua liberdade é muito restrita. São pressionados a fazer escolhas tidas como definitivas (casamento, filhos, profissão) e as dúvidas se amontoam.

A sociedade exige eficiência na condução desse script. Depois dos 40, a boa notícia: que sociedade, que nada. Não é ela que banca suas ideias, não é ela que enxuga suas lágrimas, não é ela que conhece suas carências. Você passa, finalmente, a ser dona do seu desejo. Não é pouca coisa.

A segunda metade trará vista cansada, um joelho menos confiável, um rosto não tão viçoso, umas manias bobas, mas o fato de já não haver tempo a desperdiçar nos torna mais focados e até mais aventureiros – pensar demais deixa de ser producente.

Perder a ilusão da eternidade traz, sim, conquistas instantâneas, mas, para isso, é preciso ter cabeça boa, conhecimento e uma forte base moral e ética. E isso você adquire na primeira metade da vida – ou padecerá na última.

linha3 Qual metade você prefere?

Mulher esperta.

Começos

07
JAN
2013

Inspirações

2013

Eu gostaria que tivéssemos uns três Anos Novos por ano. Não pela celebração em si, mas pela incrível disposição que o início de janeiro me dá! Estou às voltas fabricando mil listas de providências, refazendo a agenda, arrumando armários e gavetas, retomando a dieta, tendo ideias, traçando as metas para os próximos 12 meses… Sei que dentro de algumas semanas, este gás todo vai perdendo a força, mas gosto de aproveitar a turbinada inicial pra dar um pontapé nos projetos e pra me comprometer comigo mesma em levar adiante pelo menos os mais importantes.

Minha palavra do ano: disciplina. Ouvi muito sobre ela no ano passado e acho que é hora de incorporá-la na minha vida. “Não existe almoço grátis”, “a gente colhe o que planta” (e se não plantar não colhe), “devagar se vai ao longe”…, a sabedoria popular anda reverberando na minha cabeça oca.

Outro dia, vi umas fotos da Grazi Mazzafera de biquíni, numa lancha em Angra, poucos meses depois de ganhar a filha, descaradamente linda, aí, claro, a gente excomunga a criatura. Virei a página, e tinha outra foto dela, desta vez correndo na AREIA da praia, sob o SOL QUENTE, de CANELEIRA, nas FÉRIAS. Ah, entendi…

Há algum tempo, comprei um livro sobre a rotina de trabalho de dezenas de escritores renomados. Cada um tinha a sua, nenhuma se repetia, mas todos eles diziam que começavam na primeira página e escreviam até a última, ainda que levassem anos até o ponto final. Ah, entendi…

Disciplina. A ideia não é engessar a vida, mas colocá-las nos trilhos, na direção dos meus planos e ir dosando o ritmo conforme cada dia permitir. Vamos lá, vamos ver.

Queria aproveitar pra dizer que há mudanças de rumo à vista aqui no Melhor aos Quarenta. Aos poucos ele deixará de ter cara de diário e passará a ser um lugar para reflexões, textos à deriva ou apenas informações que me pareçam realmente interessantes de compartilhar. Nos últimos meses, notei que perdia muitas horas procurando o que dizer aqui no blog e me via inventando assuntos, o que acabava roubando meu tempo e o seu. Portanto, ainda que apareça menos por aqui, farei com que valha a pena para nós.

É isso, meus queridos. Queria desejar um ano incrivelmente lindo pra vocês, com a energia boa de um novo começo e com um pedido sincero de saúde e amor, que acabei de fazer ao Pai do Céu, por cada um de vocês.